O teu país

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod


Cláudia Fernandes

Escola

Não Identificada

País

Portugal

A Mensagem

Resumo do trabalho

Resumo/Apontamentos sobre "A Mensagem" o único livro que Fernando Pessoa publicou, realizado no âmbito da disciplina de Português (12º ano).


A “Mensagem” foi o único livro que Fernando Pessoa publicou enquanto era vivo, este tinha como objectivo chamar a atenção para um império superior ao material, um império espiritual (Quinto Império).

A obra está simbolicamente tripartida – “Brasão”, “Mar Português” e “O Encoberto” – que traduz a evolução do império português desde a sua origem (conquistas), passando pela “fase adulta” (descobertas) até à morte (decadência), a que se seguirá a ressurreição.

O “Brasão” representa a nobreza do povo português, fazendo referência aos construtores do império, o que corresponde ao nascimento da pátria, com referência aos mitos e figuras históricas até D. Sebastião. Dá-nos conta de um Portugal erguido pelo esforço e destinado a grandes feitos. Desta parte podemos salientar os poemas: “Ulisses” (símbolo da renovação dos mitos, “O mito é o nada que é tudo.”),”D. Dinis” (símbolo da importância da poesia na construção do Mundo, “Na noite escreve um seu Cantar de Amigo”) e “D. Sebastião, rei de Portugal” (símbolo da loucura audaciosa e aventureira, “Louco, sim, louco, porque quis grandeza”). Esta parte simboliza as conquistas que foram feitas por terra.

O “Mar Português” faz referência aos feitos realizados pela nobreza portuguesa; é nesta parte que o poeta fala do sonho marítimo, correspondendo à realização e vida do império português, referindo personalidades e acontecimentos dos Descobrimentos que exigiram uma luta contra o desconhecido e os elementos naturais. Podemos salientar poemas como “O Infante” (símbolo do Homem universal, “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”), “Mar Português” (símbolo do sofrimento por que passaram todos os portugueses, “Ó mar salgado, quanto do teu sal/São lágrimas de Portugal”) e “O Mostrengo” (símbolo dos obstáculos, dos perigos e dos medos que os portugueses tiveram de enfrentar para realizar o seu sonho, “ Sou um povo que quer o mar que é teu;”). Esta parte simboliza as conquistas que foram feitas por mar (água).

O “Encoberto” induz o leitor para a imagem de um império moribundo; é onde se tem contacto com a ideia de que após a morte há a ressurreição para um novo império espiritual, moral e civilizacional, o Quinto Império. Nesta parte, Pessoa aproveita para mostrar a realidade do império, temos poemas com “O Quinto Império” (símbolo da inquietação necessária ao progresso, “Triste de quem vive em casa/Contente com o seu lar/ Sem um sonho, no erguer da asa/(…)/Triste de quem é feliz!”) e “Nevoeiro” (símbolo da nossa confusão, do estado caótico em que nos encontramos, tanto como Estado, como emocionalmente, mentalmente, etc., “Nem  rei nem lei, nem paz nem guerra,”). Esta parte simboliza a morte do império português, mas Pessoa deixa a ideia/esperança que um novo império se irá formar, um império espiritual (daí simbolizar o ar).

Em toda a obra está presente o número três, que remete para a união entre Deus, o Universo e o Homem (“Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce.”). Este número é ligado a Cristo, que simboliza três figuras: a de rei, a de padre e a de profeta, na obra aparece associado a dois grupos de poemas: “Timbre”, onde pertencem os poemas “A cabeça do Grifo: O Infante D. Henrique”, “Uma asa do Grifo: D. João II” e “A outra asa do Grifo: Afonso de Albuquerque”, cumprindo estas personagens históricas o papel de rei e de padre, pelo seu Poder e pela sua Espiritualidade (“Tem aos pés o mar novo e as mortas eras” (…) “O único imperador que tem deveras/O globo mundo em sua mão”; “Braços cruzados, fita além do mar” (…)“E parece temer o mundo vário/Que ele abra os braços e lhe rasgue a vida”; “ De ver o mundo e a injustiça e a sorte” (…) “Não pensa em vida ou morte.”); e “Os Avisos”, onde estão integrados os poemas “O Bandarra”, “António Vieira” e “Terceiro” (que simboliza o próprio Pessoa), cumprindo a função profética do anúncio do Quinto Império.

O número três é o número da perfeição, o que podemos afirmar que Pessoa dá a sua obra com perfeita (por estar tripartida) e que a fase mais importante do império português foi as descobertas, pois é na segunda parte (“Mar Português”) que o poeta remete para este número (12 poemas, 1 + 2 = 3).

Podemos também relacionar a estrutura tripartida com o espaço: histórico, mítico e místico. Durante toda a obra conseguimos relacionar os poemas com factos históricos de Portugal. O aspecto mítico está presente ao longo dos poemas, como por exemplo no poema “Ulisses” (“O mito que é nada que é tudo.”), mas principalmente na última parte da “Mensagem” – “O Encoberto” – onde o mito sebastianista está presente (ex. “D. Sebastião”, “O Encoberto”, “Nevoeiro”). E, por fim, o aspecto místico onde podemos indicar poemas como a “Ascensão de Vasco da Gama”, onde o herói sob ao nível dos Deuses, tornando-se “imortal”, isto é, não cai em esquecimento.

O título da obra – “Mensagem” – também nos remete para uma estrutura tripartida, já que se pode dividir silabicamente em três partes (Men – sa – gem ), curiosamente Portugal também tem a mesma divisão (Por – tu - gal).

Em conclusão, podemos afirmar que a “Mensagem” é uma obra complexa, com muitos significados “escondidos”, e que Fernando Pessoa a dividiu propositadamente nas três partes que simbolizam o ciclo de vida do império português: o nascimento, o crescimento (momento áureo histórico) e a morte da pátria.



378 Visualizações 28/06/2016