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Sara Silva Pereira

Escola

Escola Secundária D. Sancho I

País

Portugal

Processos Emocionais

Resumo do trabalho

Resumo/Apontamentos sobre os Processos Emocionais, realizado para a disciplina de Psicologia (12º ano).


Explicar o carácter específico dos processos emocionais.

Caracterizar emoções, sentimentos e afectos.

As emoções são processos desencadeados por um acontecimento, pessoa, situação que é objecto de uma avaliação cognitiva que nem sempre é voluntária. A emoção é um fenómeno subjectivo que pode pressupor reacções biológicas e físicas. A expressão das emoções pode suscitar determinadas acções (fugir, gritar, saltar) ou desencadear novas emoções em pessoas que nos acompanhem. As emoções concretizam-se no presente, como um estado intenso, público e momentâneo, extremamente voltado para o exterior.

Os afectos exprimem-se através das emoções, sendo organizados pelas experiências emocionais que se repetem. Os afectos funcionam como predisposições para as relações com os outros que, quando acontecem, se traduzem com a expressão de emoções. Estruturam a nossa vida mental, remetendo-nos para o passado e adoptando um carácter duradouro.

Os sentimentos são estados privados, internos. São o produto dos afectos e das experiências emocionais. Prolongam-se no tempo, têm uma intensidade moderada e não se adivinha à partida qual a sua causa. Por vezes, podemos não ter consciência dos nossos sentimentos, o que não quer dizer que não estejamos a sentir, mas não reagimos em função deles porque, para que os sentimentos possam ter influência sobre o indivíduo, é necessária a consciência.

Caracterizar os componentes emocionais.

As emoções envolvem um conjunto de componentes que variam no número e na ordem em que são apresentadas.

Componente cognitiva – refere-se ao conhecimento do facto que desencadeia a emoção.

Componente avaliativa – refere-se à influência que os nossos interesses, valores, objectivos e necessidades têm na formação da emoção. Quanto mais importante for para nós o acontecimento, maior e mais ampla vai ser a emoção desencadeada.

Componente fisiológica – refere-se às alterações corporais que se verificam no indivíduo aquando da demonstração da emoção, por exemplo: aumento do ritmo cardíaco, ruborização da face, respiração ofegante, contracção dos músculos, etc.

Componente expressiva – sendo a mais comunicativa das componentes, refere-se às alterações físicas que se verificam no indivíduo e que são visíveis aos outros: aumento do tom de voz, expressão facial mais aberta ou mais fechada, sorriso, choro, etc. É a mais importante a nível social porque demonstra claramente o estado de espírito.

Componente comportamental – o estado emocional pode desencadear um conjunto de comportamentos como por exemplo a agressão, a crítica verbal, a elevada gesticulação, os saltos de alegria, os gritos.

Componente subjectiva – refere-se ao estado afectivo associado à emoção.

É importante notar que a emoção não se pode circunscrever a uma única componente, dado que cada uma tem grande influência em todas as outras.

Mostrar o papel das emoções na vida do ser humano.

As emoções são omnipresentes na vida de um ser humano. Independentemente da idade, do sexo, da cultura ou da condição, é impossível desprezar as emoções devido à sua íntima relação com os valores, as ideias e os princípios. Paralelamente à racionalidade, a emoção no Homem tem um sentido único que o distingue enquanto espécie.

A complexidade das emoções existe, exactamente, na relação contínua que elas estabelecem com a nossa história pessoal, com os significados que, individualmente, atribuímos às situações, às pessoas e aos lugares. Do mesmo modo que o fazemos recorrendo à linguagem, as emoções são rápidos e poderosos meios de comunicação, sendo a melhor forma de mostrar os estados interiores do indivíduo.

A emoção humana não se cinge ao prazer ou ao medo, é a vontade de justiça, o terror à tortura, a sensibilidade à poesia, à música ou a um quadro. A emoção humana acontece pelas mais pequenas coisas que não parecem importantes, mas que despertam em nós novos estados de espírito.

Conhecer as perspectivas evolutiva, fisiológica, cognitivista e culturalista das emoções.

Charles Darwin foi o criador da perspectiva evolutiva. Distingue seis emoções básicas, primárias ou universais que são: a tristeza, a surpresa, a cólera, o desgosto e o medo. Considera que as emoções desempenham um papel adaptativo fundamental ao longo da História, podendo comprometer a sobrevivência.

Mais recentemente, Paul Ekman continuou esta teoria, tentando provar que indivíduos de culturas diferentes sentiriam diferentes emoções. Após testes em Nova Guiné e nos Estados Unidos, acabou por inverter o que queria provar já que havia emoções idênticas e com idêntica demonstração em ambas as culturas. Assim, constatou que há, efectivamente, emoções universais que não dependem de cultura, educação ou meio social. Ekman alarga um pouco a concepção de Darwin, aceitando a influência da cultura na expressão das emoções

William James avançou com a perspectiva fisiológica, onde defende que as emoções resultam das percepções do estado do corpo. Assim, eu tenho medo porque fujo e não o contrário como poderíamos pensar. Os estímulos do meio produzem alterações fisiológicas no organismo, cuja interpretação gera emoções. O mais interessante da teoria é a ligação corpo-mente que se estabelece e o facto de James ter considerado a emoção como estado subjectivo.

A perspectiva cognitivista defende que são factores cognitivos (percepções, recordações, aprendizagens, experiências) que explicam os estados emocionais. Assim, será o modo como o indivíduo encara, interpreta e avalia a situação e as suas consequências que causa a emoção. Novamente enfatizado o carácter subjectivo das emoções, são a representação da situação e a avaliação pessoal dela que determinam as emoções. A interpretação feita é controlada pelos sistemas cognitivos internos. Algo que corrobora esta teoria é o facto de, se uma pessoa estiver mentalizada/preparada para sentir uma determinada emoção, esta manifestar-se-á em menor amplitude.

A perspectiva culturalista aposta que as emoções são comportamentos apreendidos no processo de socialização. Tal como a linguagem, as emoções são uma construção social que exige aprendizagem e que, por isso, dependem da cultura em que o indivíduo está inserido e variam no espaço e no tempo. O conjunto de regras de cada cultura especifica o tipo de emoções que se manifestam em cada situação e a forma como se devem demonstrar. Em cada cultura e para cada cultura há uma linguagem da emoção específica que é reconhecida por todos aqueles que nela estão inseridos.

Relacionar razão e emoção.

As emoções e os sentimentos não são um obstáculo ao pensamento. A razão precisa da emoção para a tomada de decisão. Quando é necessário tomar uma decisão, devemos: ter conhecimento da situação, conhecer as diferentes opções e conhecer as consequências de cada uma das opções a curto, médio e longo prazo.

António Damásio defende que há um mecanismo que cria um repertório que orienta as diferentes opções para a selecção. Se as decisões fossem tomadas sem recorrer às emoções, ou seja, só com a interferência do raciocínio, levaríamos um tempo indeterminado a analisar logicamente todas as opções e respectivas consequências, o que tornaria a tomada de decisão completamente inviável. Contudo, a emoção, por si só, não permite a tomada de decisão. Aliás, muitas vezes, as emoções são tão fortes e intensas que nos perturbam ao ponto de influenciarem negativamente uma decisão. No entanto, este é um risco que temos que correr.

A emoção bem dirigida é  o sistema de apoio que permite um eficaz funcionamento da razão. Logo, ambos estão na base do processo de tomada de decisão, levando a que esta possa ser suportada por duas vias complementares:

- a representação das consequências das opções (fruto do raciocínio)

- a activação de experiências emocionais através da percepção da situação e consequente comparação com acontecimentos anteriores (fruto da emoção)

O organismo tem algumas razões que a razão tem de utilizar.

Explicar a hipótese dos marcadores somáticos de A. Damásio.

Damásio defende que, por mais simples que a escolha seja, a tomada de decisão está sempre associada a uma emoção, já que o córtex cerebral se apoia nelas para optar. Por isso, a falta de emoções implicaria uma incapacidade de escolha. Assim, a tomada de decisão será suportada por duas vias complementares: o raciocínio que permite a representação das consequências, a avaliação, a comparação e a análise da situação, e a activação de experiências emocionais passadas em situações semelhante que acontece pela percepção da situação. Segundo António Damásio, a tomada de decisões seria suportada por um mecanismo automático, a que chamou marcador somático.

Na ausência de marcador somático, opções e consequências tornam-se indiferentes, o que implica trabalho redobrado para a lógica e, por isso, mais tempo para a tomada de decisão. Assim, os marcadores somáticos apresentam-se essenciais para limitar o espaço de decisão porque o tornam apto para análises lógicas rápidas.

Ao criar-se esta ligação entre o estado corporal (somático) e o tipo de situação, permite-se que, quando há necessidade de decidir, o estado somático actue como sinal de perigo ou atracção. Depois, os marcadores somáticos informam o córtex das decisões a tomar. Pode-se concluir que o pensamento tem necessidade das emoções para ser eficaz.



285 Visualizações 01/02/2017