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Sydney Pamplona

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Escola Estadual Cidadã Integral Técnica Prefeito Oswaldo Pessoa

A Revolução Puritana

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Resumo do trabalho

Trabalho acadêmico sobre o tema 'A Revolução Puritana' realizado para a disciplina de História do 3º ano do Ensino Médio...


1. INTRODUÇÃO

Em 1603, com o fim da dinastia dos Tudor, na Inglaterra, o absolutismo dos Stuart reinou em uma época de crise que assolava todo o reino. O reinado de Jaime I gerou uma certa oposição devido aos impostos abusivos cobrados, e logo obteve mais repulsa ao tentar reaproximar-se da Espanha católica. Toda essa discordância gerou confrontos entre os reis Stuart com a instituição que representava a sociedade inglesa: o Parlamento. Desde o reinado de Jaime I, o rei pretendia governar sem a intromissão do Parlamento, a quem cabia o poder de direito, de acordo com a Carta Magna de 1215. Quando Jaime I foi substituído por seu filho, Carlos I, em 1625, as rebeliões tornaram-se constantes até que uma eminente guerra civil dividiu a Inglaterra e gerou a revolução puritana (1640-1648), onde trouxe consigo alguns pontos importantes nos aspectos sociais, religiosos, políticos, econômicos entre outros.

2. DINASTIA DOS TUDOR E A CRIAÇÃO DA BURGUESIA

A dinastia Tudor foi bastante simbólica na monarquia absolutista da Inglaterra. Ela surgiu em 1485, no final da Guerra das Duas Rosas, onde se aproveitaram do momento de fraqueza e assumiram o poder por mais de 100 anos, tempo suficiente para: expandir o seu poder, controlar a nobreza, unificar o território e oprimir grupos contra absolutistas da época. A Igreja Católica passou a entrar em conflito com a casa Tudor por um de seus representantes, Henrique VIII (1509 – 1547), querer violar as leis que a igreja impusera na época. Henrique VIII teve seis esposas e compartilhava do desejo de se divorciar da primeira para casar-se com outra. Os conflitos gerados entre ele e a Igreja Católica romana contribuíram na sua vontade de diminuir o poder de Roma sobre a Inglaterra. Assim ele fundou a igreja Anglicana. Essa reforma religiosa que ocasionou na ruptura com a Igreja Católica garantiu o controle da ordem político-social inglesa e também foi bastante benéfica financeiramente para a Coroa na época, pois a igreja dispunha de terras e propriedades privadas os quais serviram de exploração de minérios ou atividade agrícola deixando o comércio de matérias prima em alta. As ações políticas dos Tudor acabaram proporcionando uma grande ascensão da burguesia, de modo que na década de 1590, os burgueses já tinham grande força representativa na chamada Câmara dos Comuns (uma das câmaras do Parlamento Inglês, que tinha como oposição a Câmara dos Lordes, isto é, dos nobres apoiadores da Coroa). A ascensão da burguesia não agradou aos nobres medievais, pois a força adquirida pela burguesia estava associada ao puritanismo (calvinismo inglês), religião que dava suporte ideológico ao radicalismo político antiabsolutista, proveniente da reforma protestante de Martinho Lutero. Nesse pretexto, a guerra civil girava em torno dos membros da alta nobreza aristocrática inglesa, funcionários do Estado e o clero anglicano, ameaçados pela capacidade da burguesia puritana de acumular riquezas. Agricultores capitalistas, a burguesia urbana, os pequenos mercadores e artesãos tem sua renda advinda do trabalho e de investimentos financeiros, já os nobres gozavam de privilégios hereditários, da cobrança de impostos e da formação de monopólios estatais ao modo mercantilista. Mesmo assim os monarcas da próxima família, os Stuart, perceberam que se não parassem a burguesia no campo político, a estrutura monárquica estaria fadada à ruína.

3. DINASTIA DOS STUART, PRÉ-GUERRA CIVIL

Em 1603 deu-se início a uma nova dinastia, a casa dos Stuart, o qual teve como primeiro monarca o rei Jaime I (1603 – 1625). Um dos primeiros atos políticos de Jaime para implementar o seu projeto absolutista foi tentar oprimir a burguesia ressuscitando antigos impostos em desuso e implantando monopólios que controlavam as atividades econômicas mais importantes do reino, afim de manter um exército fiel e ter uma corte luxuosa. Em 1604, a linha de pensamento do rei entrou em conflito com o Parlamento, onde os puritanos o confrontaram exigindo a reforma da Igreja Anglicana ao mesmo tempo em que os pequenos burgueses pleiteavam mais influência política. A partir daí o rei Jaime I começou a perseguir não só os burgueses, mas também os puritanos. A impopularidade dessa dinastia também se deve a tentativa do rei Jaime de reaproximar-se da grande inimiga da Inglaterra naquele período, a Coroa da Espanha, que já tentou por vários meios reintroduzir o catolicismo na Inglaterra. O reinado de Jaime durou até a sua morte em 1625, e o seu filho Carlos I sucedeu o trono dando continuidade a dinastia dos Stuart.

O conflito entre as práticas da Coroa e os interesses da sociedade inglesa alcançou um ponto crítico em 1625, quando houve uma tentativa de acordo entre a Coroa e o Parlamento para que houvesse um novo aumento de impostos. O Parlamento inglês era formado por assembleias: a Câmara dos Lordes (nobres e membros do clero) e a Câmara dos Comuns (burguesia e pequenos proprietários). Sua função era de: controlar o governo por meio das aprovações de novos impostos solicitados. Visto que, sem o dinheiro, o rei perde o poder aquisitivo para contratar soldados e funcionários para implementar a política do reinado. O rei Carlos I tinha o receito de que uma possível revolta eclodisse na Inglaterra assim como aconteceu em seu país natal, a Escócia, por isso tentou fazer um acordo com o Parlamento, mas o acordo foi recusado pela Câmara dos Comuns e isso o deixou deveras enraivecido. Como resposta ele dissolveu o Parlamento, que ficou inativo até a próxima convocação, e por isso ficou conhecido como O Parlamento Curto. Em novembro de 1640, a rebelião da Escócia se agravou a ponto de a Coroa precisar recorrer novamente ao Parlamento e a Câmara dos Comuns como última esperança de adquirir tributação dos burgueses para bancar o seu poderio militar nessa guerra. Os burgueses puritanos se recusaram a ajuda-lo e prepararam-se para um enfretamento total contra o rei e a nobreza. O choque entre os dois resultou na Guerra Civil Inglesa.

4. GUERRA CIVIL E REVOLUÇÃO INGLESA

O Parlamento convocado em 1640 durou treze anos, e ficou conhecido como O Parlamento Longo. Durante essa convocação, o Parlamento Longo iniciou os seus trabalhos limitando os poderes da Coroa. Começaram por desfazer todas as taxas tributárias não reconhecidas pelo Parlamento, extinguindo tribunais reais e libertando presos políticos e religiosos. Em seguida impediram o rei de dissolve-los quando bem entendesse e tornou-se oficial uma convocação parlamentar a cada três anos. A afronta contra os proprietários do poder real animou grande parte da população de grupos sociais mais pobres, os que ficaram motivados promoviam marchas e comícios exigindo mais liberdade, perseguição aos traidores católicos e justiça. Tal movimento radical antiabsolutista assustou a nobreza e os burgueses mais ricos, que temiam a subversão da ordem, o que eles chamavam de “anarquia”. Muitos viam a hora de fazer um acordo com o rei Carlos I para estancar mais mudanças no país, porém uma revolta eclodiu na Irlanda e impediu que esse acordo acontecesse.

Desde a Idade Média, os reis ingleses submeteram aos nobres da vizinha ilha da Irlanda, que se tornaram seus vassalos, mas no século XVI, os ingleses iniciaram uma política de colonização das terras irlandesas, causando grande revolta entre a população local. Aproveitando a situação em que a Coroa Inglesa se encontrava, os irlandeses rebelaram-se contra os ingleses e Carlos I tentou mais uma vez recorrer ao Parlamento. A revolta católica da Irlanda criava um problema extremamente delicado para o Parlamento, pois quem comandaria o exército para reconquistar a Irlanda seria o rei, e caso o Parlamento disponibilizasse um exército, o rei poderia tentar reconquistar sua soberania na monarquia. Porém o Parlamento decidiu subjugar mais uma vez o rei, divulgando uma extensa lista de acusações à Coroa. Exigiram que o rei demitisse os ministros impopulares e partilhasse o seu poder com o Parlamento e, por fim, acusaram a esposa de Carlos I, que era católica, de comandar a rebelião irlandesa. Assim a Coroa resolveu dar um basta à insubordinação dos parlamentares. Em janeiro de 1642, Carlos I invadiu o Parlamento com uma força armada, visando prender os líderes puritanos, que foram avisados antecipadamente e fugiram em tempo. Sem conseguir controlar a oposição e temendo a reação do povo de Londres, que defendia o Parlamento, Carlos I viajou para a cidade de Oxford, onde reuniu um exército de 20 mil homens para esmagar os puritanos. Em Londres, o Parlamento convocou o povo para pegar em armas e lutar contra o rei, foi o início da guerra civil conhecida como Revolução Inglesa.

Tal conflito dividiu a Inglaterra. A parte norte e oeste tinha domínios da grande aristocracia feudal e eram particularmente ligados à causa do rei. Já no lado sul e leste, e também nos vários centros comerciais de Londres, ficaram em grande parte do lado do Parlamento. Os soldados do rei eram os Cavaleiros, pertencentes a grupos feudais armados, e geralmente com experiência militar. As tropas do Parlamento, conhecida como Cabeças Redondas, em referência aos cabelos cortados dos puritanos, vinham basicamente do povo, sem maior habilidade bélica. Seus comandantes eram, porém, nobres, o que gerava desconfiança entre a população. Carlos I ainda acreditava que poderia vencer e reimplantar o regime absolutista, pois as primeiras batalhas foram vencidas pelos Cavaleiros. Mas então a liderança do Exército fora passada para Oliver Cromwell, um radical puritano de confiança que organizou suas tropas de uma nova maneira, fundamentada no mérito militar, dando uma causa aos participantes e a participação efetiva nas tomadas de decisões de cada confronto. Para Cromwell, essa foi a única chance para os Cabeças Redondas compensarem a deficiência de preparo militar de suas tropas. A partir daí os batalhões foram chamados de Novo Exército Modelo (New Model Army). Essa tática funcionou muito bem, em 1645 as tropas realistas se renderam resultando na vitória do Parlamento na Guerra Civil.

5. PROCLAMAÇÃO DO COMMONWEALTH

Assim que o rei fora preso e o Parlamento governava toda a Inglaterra, vários burgueses e grandes proprietários desejavam reestruturar a monarquia e manter tudo como estava. Esse grupo passara ser chamado de Presbiterianos. Os pequenos proprietários e manufatores que desejavam avançar nas reformas foram chamados de Independentes. Junto a esses, diversos outros grupos radicais surgiram com propostas revolucionárias para o governo. Com medo de algum grupo radical tomar o poder, os Presbiterianos tentaram colocar Carlos I no governo novamente. O plano não foi executado graças ao exército, e Oliver Cromwell assumiu o governo.

Enquanto Presbiterianos e Independentes lutavam pelo controle do governo, Carlos I fugiu da prisão em 1647 e recomeçou a guerra civil. Porém foi vencida em 1648 pelos soldados. E o rei foi capturado e decapitado em janeiro de 1649. Em maio, fora proclamada a República, que recebeu o nome de Commonwealth. O poder executivo foi exercido por um Conselho de Estado formado por alguns parlamentares, dentre eles Oliver Cromwell como presidente. Nessa função, Cromwell conseguiu debelar os últimos focos e resistência realista na Irlanda e na Escócia. No aspecto político-administrativo, ele aboliu uma série de taxações consideradas abusivas, além de expedir os Atos de Navegação, a partir de 1650. Por essa legislação, apenas os navios ingleses poderiam transportar mercadorias inglesas. Assim, o governo atendia os interesses da burguesia mercantil, que ampliava sua situação no comércio marítimo com a Europa.

Os últimos anos do governo de Cromwell foram de autoritarismo. Em 1653 ele dissolveu o Parlamento, intitulando-se Lorde Protetor dos ingleses. Mas em 1658, Cromwell faleceu e a República inglesa não instituíra uma foram de eleger seu governante. Assim o próximo presidente foi o seu filho, mas não conseguia controlar o Exército como o pai. Sem ter como se contrapor aos Presbiterianos, ele renunciou em 1659 e o Parlamento convocou Carlos Stuart, filho de Carlos I, para assumir o trono inglês e acabar com a República.

6. A VOLTA DOS STUART

Em 1660, o governo de Carlos II não se diferiu muito de seus antecessores. Logo ele passou a demonstrar as mesmas características de um governo absolutista e a perseguir religiosos calvinistas. E logo os parlamentares se viram novamente em conflito com a Coroa. Carlos II dissolveu o parlamento em 1681 e governou sozinho até a sua morte. Em 1685, seu filho, Jaime II, assumiu o trono, reativou o Parlamento, mas procurou dar seguimento às ações do pai, no que se refere à restauração do absolutismo. E suas ações foram mais além, procurando instaurar a monarquia absolutista. Em vez de começar uma nova guerra civil, alguns membros do Parlamento optaram por um golpe palaciano. Convocaram o genro do rei, o holandês protestante Guilherme de Orange, a invadir a Inglaterra e depor Jaime II. Em troca, receberia apoio militar e garantia de que ele e a mulher, a protestante Maria, filha de Jaime II, assumiriam a Coroa.

7. CONCLUSÃO

A Revolução Puritana então, pode ser caracterizada por esse longo embate entre a Câmara dos Comuns do Parlamento (composto por membros burgueses e puritanos) que lutavam para diminuir o autoritarismo da Coroa, por meio da repartição do poder governamental. E a Coroa, reinada na época da revolução por Carlos I da dinastia dos Stuart, que tentava acabar com membros da oposição ao seu reinado do Parlamento inglês, almejando a ampliação de seu poder Estatal. Tal movimento causou grande mudança na forma de poder da Inglaterra do século XVII: de um reinado monárquico, para um Estado liberal-burguês. E até mesmo passando por um início de república. Essa Revolução, com o reinado da casa Tudor, porém, associa-se ao Renascimento cultural da Europa.

8. REFERÊNCIAS

GONÇALVES, Rainer. Revolução Puritana. Disponível em: <https://historiadomundo.uol.com.br/idade-moderna/revolucao-puritana.htm>. Acesso em: 25/05/2018

FERNANDES, Cláudio. Revolução Inglesa. Disponível em: <https://historiadomundo.uol.com.br/idade-moderna/revolucao-inglesa.htm>. Acesso em: 25/05/2018

SOUSA, Rainer Gonçalves. "Revolução Puritana"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/historiag/revolucao-puritana.htm>. Acesso em 25/05/2018.

PINTO, Tales. A Trajetória de Oliver Cromwell. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/a-trajetoria-oliver-cromwell.htm>. Acesso em: 25/05/2018

OLIVEIRI, Antônio. Revolução Inglesa: Cromwell, Revolução Puritana e Revolução Gloriosa. Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/revolucao-inglesa-cromwell-revolucao-puritana-e-revolucao-gloriosa.htm>. Acesso em: 25/05/2018

MAPADELONDRES.ORG. Conheça a Dinastia Tudor e sua Influência no Reino Unido. Disponível em: <https://mapadelondres.org/dinastia-tudor/>. Acesso em: 26/05/2018

DAZÍLIO, Fernanda. A Revolução Inglesa. Disponível em: <http://www.laifi.com/laifi.php?id_laifi=7221&idC=86466#>. Acesso em: 27/05/2018

Autores

BRUNO HENRIQUE NASCIMENTO, RAFAEL ALVES FERNANDES, MARIANA DA SILVA CRUZ, WELLEN SALLY PEREIRA, LUCAS DOS SANTOS ALVES, SYDNEY LOPES PAMPLONA



21 Visualizações 12/09/2019