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Luís Vaz de Camões

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Resumo do trabalho

Trabalho escolar sobre a vida e obra de Luís Vaz de Camões, realizado no âmbito da disciplina de Português (10º ano).


Introdução

Luís Vaz de Camões, poeta português mundialmente conhecido pela sua obra “Os Lusíadas”. Que contribuiu de grande forma para o enaltecimento da Língua Portuguesa. É considerado o maior poeta de todos os tempos e um ícone para a nossa língua. Além d´Os Lusíadas este poeta escreveu outras obras (por ordem cronológica de publicações):

  • Os Lusíadas [1572]: O poeta escreveu esta obra, de modo a enaltecer a grandeza do povo português, sendo que o título, significa: Os portugueses através dos movimentos renascentistas unidos nesta época sendo que Luís de Camões se baseou essencialmente no filosofo grego – Petrarca.
  • O Auto do Anfitriões [1587]
  • O Auto de Filodino [1587]                Peças Teatrais
  • O Auto de El-rei Seleuca [1645]

Camões, A Vida e Obra

A Vida

Alguns momentos da vida de Camões

Luís de Camões.  Retrato em cobre de Fernando Gomes. É o único retrato do poeta reproduzido do natural.

O dia em que eu nasci, moura e pereça,

Não o queira jamais o tempo dar,

Não torne mais ao mundo e, se tornar,

Eclipse nesse passo o sol padeça.

.

A luz lhe falte, o sol se lhe escureça,

Mostre o mundo sinais de se acabar,

Nasçam-lhe monstros, sangue chova o ar,

A mãe ao próprio filho não conheça.

.

As pessoas pasmadas, de ignorantes,

As lágrimas no rosto, a cor perdida,

Cuidem que o mundo já se destruiu.

.

Ó gente temerosa, não te espantes,

Que este dia deitou ao mundo a vida

Mais desgraçada que jamais se viu!

.

Luís de Camões

 

Casa da família de Camões em Vilar de Nantes, Chaves «Camões na Gruta de Macau». Pintura de Francisco Augusto de Metrass, séc. XIX «Últimos momentos de Camões». Pintura de Columbano Bordalo Pinheiro.

A Obra

Frontispício da edição das RIMAS de Camões, 1598 Luís de Camões. Gravura inserida na Edição das Obras, 1720

Até selecção crítica mais rigorosa, podem ser atribuídas a Luís de Camões:

126 Poemas em redondilha

204 Sonetos

8 Éclogas

13 Odes

1 Sextina

5 Oitavas

10 Elegias

11 Canções

Poesia

Conceito de poesia

No dicionário: Conjunto de obras em verso, escritas numa determinada língua, ou próprias de uma determinada época, de uma corrente literária.

O que é a poesia? Não há definição objectiva dela, mas a poesia é, talvez, a expressão de sentimentos, emoções e sentidos do poeta em relação àquilo que o rodeia ou pelo que toma como tema, revelada numa forma escrita, cuja sonoridade e estrutura, muitas vezes se assemelha a um cântico, a um apelo, etc.

Analisando-a no plano fónico, a poesia não é uma linguagem comum que serve somente para significar. Consegue criar um conjunto de sons agradáveis e melodiosos através da rima, do ritmo e de várias figuras de estilo como a repetição que é frequentemente utilizada.

“Eis que temos aqui a Poesia,

A grande Poesia.

Que não oferece signos

Nem linguagem específica, não respeita

sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.

como o sangue nas artérias,

tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.

E ao mesmo tempo tão elaborada -

feito uma flor na sua perfeição minuciosa,

um cristal que se arranca da terra

já dentro da geometria impecável

da sua lapidação.”

 Rachel de Queiroz, escritora brasileira 

.

"A poesia não é nem pode ser lógica. A raiz da poesia assenta precisamente no abstrato"

Ana Paula Alves e André Freire.

O que se entende por “Poesia Camoniana”

A poesia Camoniana, como qualquer outra, não foge do conceito, acima mas engloba outras características.

Nesta, coexiste a poética tradicional e o estilo renascentista. É praticamente considerada como um conceito à parte. Camões apesar de seguir Petrarca cria o seu próprio estilo. Estes aspectos serão mais aprofundados no ponto à seguir.

“A poesia lírica de Camões é, em grande parte, poesia de circunstância, o que significa que emerge da vida, como a espuma do movimento da vaga, e isso lhe dá o valor autobiográfico precioso para quem não encontrou nenhum contemporâneo que dele com demorada atenção se ocupasse.” Autor anónimo.

 “Joga magistralmente com a linguagem comercial e provoca-me um arrepio o último verso” Richard Zenith.

“A eficácia e o fascínio da poesia camoniana dependem precisamente do choque entre a perfeição formal e o fogo que pula alto e forte e que os versos bem medidos mal conseguem conter. Sem esse fogo, Camões seria um excelente e provavelmente enfadonho técnico da palavra. Camões sem o fogo não seria Camões; nem consigo imaginar isso”, Richard Zenith.

Características Gerais da Poesia Camoniana

Características da corrente tradicional

As formas poéticas tradicionais: cantigas, vilancetes, esparsas, endechas, trovas...

Uso da medida velha: redondilha menor e maior.

Temas tradicionais e populares; a menina que vai à fonte; o verde dos campos e dos olhos; o amor simples e natural; a saudade e o sofrimento; a dor e a mágoa; o ambiente cortesão com as suas “cousas de folgar” e as futilidades; a exaltação da beleza de uma mulher de condição servil, de olhos pretos e tez morena (a “Barbara, escrava”); a infelicidade presente e a felicidade passada.

Características da corrente renascentista

O estilo novo: soneto, canção, écloga, ode, entre outros.

Medida nova: decassílabos.

O amor surge, à maneira petrarquista, como fonte de contradições, entre a vida e a morte, a água e o fogo, a esperança e o desengano;

A concepção da mulher, outro tema essencial da lírica camoniana, em íntima ligação com a temática amorosa e com o tratamento dado à Natureza (“locus amenus”), oscila igualmente entre o pólo platónico (ideal de beleza física, espelho da beleza interior), representado pelo modelo de Laura e o modelo renascentista de Vénus.

Camões traz-nos uma conjunção dessas duas correntes, de uma maneira bem subtil, que quase não conseguimos notar.

O soneto clássico (que é o que Camões segue) segue a forma de duas quadras e dois tercetos, e nestes, a chave do poema geralmente se encontra no último verso do segundo terceto. Os versos são decassílabos e a rima segue o esquema abba / abab. Camões seguiu esta forma e adicionou certos aspectos que verificamos em vários dos seus sonetos. Ele usa nas duas primeiras quadras o exemplo da natureza, nos dando um exemplo concreto, e logo depois, nos dois tercetos ele interioriza (para o eu lírico) os sentimentos implícitos nas quadras. Usando muitas figuras de estilo, ele finaliza o soneto, classicamente, com a chave de ouro.

Recursos Estilísticos Utilizados por Camões 

Anáfora: Repetição intencional de uma palavra ou palavras no início de frases ou versos seguintes, para destacar o que se repete.

Antítese: Consiste no contraste entre dois elementos ou ideias.

Comparação: Consiste em estabelecer uma relação de semelhança através de uma palavra, ou expressão comparativa, ou de verbos a ela equivalentes.

Enumeração: Consiste na apresentação sucessiva de vários elementos (frequentemente da mesma classe gramatical)

Eufemismo: Consiste em transmitir de forma atenuada uma ideia ou realidade que é desagradável

Hipérbole: Consiste no emprego de uma expressão que exagera o pensamento para dar mais ênfase ao discurso.

Ironia: Consiste em atribuir às palavras um significado diferente daquele que na realidade têm.

Metáfora: Consiste em designar um objecto ou uma ideia por uma palavra (ou palavras) de outro campo semântico, associando-as por analogia. Se, no contexto, essa analogia é por vezes fácil de identificar, outras vezes permite interpretações diversificadas...

Paradoxo: Expressa uma contradição, através da simultaneidade de elementos contrários.

Perífrase: Consiste em dizer por várias palavras o que poderia ser dito por algumas ou apenas uma.

Personificação: Consiste na atribuição de propriedades humanas a animais irracionais ou a seres inanimados.

Interpretação do texto “Amor é fogo que arde sem se ver”

“Amor é fogo que arde sem se ver,

É ferida que dói e não se sente,

É um contentamento descontente,

É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem-querer,

É solitário andar por entre a gente,

É nunca contentar-se de contente,

É um cuidar que ganhou em se perder.

É querer estar preso por vontade,

É servir a quem vence o vencedor,

É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

Neste soneto temos o exemplo do uso da poesia para “definir” o amor. Deste modo  se pode dizer que Camões pretende dizer o que é o amor, passando além do conceito abstracto ou inexplicável, gerando imensos contrastes para definir este mistério que todos nós conhecemos.

Luís de Camões tenta chegar a uma conclusão, através da interrogação expressada no último terceto.

Através da análise do poema e dos conhecimentos que nos foram incutidos ao longo destes últimos anos, nas mais variadas disciplinas, é-nos possível afirmar que:

À primeira vista deparamo-nos com um “jogo renascentista”, uma interrogação e um conjunto de novas ideias, iniciada a partir das ideias já existentes. Depois após uma análise mais aprofundada, apercebemo-nos que existe um sentido muito maior, nomeadamente a tentativa de resposta à pergunta - o que é o amor?

Pegando neste primeiro conjunto de ideias, percebemos a verdadeira alma do poeta, que tem uma capacidade de pegar de leve (como se fosse um jogo) este tema, deveras profundo e faz-nos pensar de um modo racional, em problemas neste caso psicológicos (considerado por alguns como) bastante complicados.

Além de observarmos a sua bela poesia, também nos deparamos com a sua inteligência para relacionar os seus versos uns com os outros, o que nos revela que ele estudou literatura, pois no seu soneto encontramos duas estruturas a interna e a externa que consistem:

  • A primeira relaciona-se na intenção e intervenção;
  • A segunda na ordem em que o poeta organizou o soneto.

Na estrutura externa o poeta escreve os seus sonetos com duas quadras e com dois tercetos em que as rimas estão interligadas em esquemas cruzados e emparelhados mas também se interligam de estância para estância.

Na parte interna o poeta refere também que o amor surge quando não o queremos nas nossas vidas, que por vezes amamos alguém sem nos apercebermos.

Atribuindo assim vários significados ao sentimento amor (alma do poema) mas apesar de o fazer a pergunta continuara sempre sem uma resposta certa, pois não nos podemos esquecer que cada pessoa tem uma noção diferente do que esse sentimento nos provoca.

Conclusão

Assim terminamos o nosso trabalho sobre este grande poeta que foi Luís Vaz de Camões, abordamos ao longo deste as características gerais da sua escrita e fizemos a análise do seu famoso soneto – “Amor é fogo que arde sem se ver”; e assim não só verificámos como também descriminamos a suas intenções com este poema (a tentativa da resposta ao que é o amor) e percebemos assim como este o faz (neste caso através do jogo renascentista).

 Em relação á sua vida descobrimos, através da análise de documentos e histórias publicadas em livros e na internet, que este poeta nasceu entre 1517 e 1525, não existindo uma certeza da data ou local do seu nascimento, e terá morrido em 10 de Junho de 1580, em Lisboa sendo a sua sepultura o mar.

Apesar de hoje em dia este poeta ser reconhecido mundialmente e as suas obras serem de um carácter extremamente enriquecedor para a nossa língua, durante a sua vida Luís de Camões não teve a merecida consideração e como tantos outros poetas só foi “descoberto” após a sua morte. Apesar dessa sua grandiosidade, as informações acerca da sua vida não são certas ou contem algum tipo de certeza, estando a sua história cheia de contradições. Podemos então dar um exemplo pelo qual não encontramos forma de ter certeza: é-nos dito que este só foi descoberto após a sua morte, mas encontramos evidencias de que este foi famoso quando trocou a sua vida académica pela da corte de D. João III onde foi considerado poeta com uma idade de 18 anos (1524-1542).

A sua mais famosa obra – Os lusíadas – terá sido escrita após o regresso do autor do oriente, e provavelmente concluída em 1556.

Bibliografia

Aqui encontra-se a lista de sites visitados para a conclusão do nosso trabalho:

http://publib.upol.cz/obd/fulltext/Romanica7/Romanica7-09.pdf

http://portuguesonline.sapo.pt/liricacamoes.htm

http://gredes.no.sapo.pt/camoes/

http://restosefragmentos.blogspot.com/2009/09/soneto-ordinrio-inspirado-em-camoes.html

http://pt.shvoong.com/humanities/linguistics/915118-lu%C3%ADs-vaz-cam%C3%B5es/

http://www.ruadapoesia.com/content/view/92/99/

http://www.mundocultural.com.br/index.asp?url=http://www.mundocultural.com.br/literatura7/romantismo/garret.htm

http://bndigital.bn.br/pesquisa.htm

http://bndigital.bn.br/scripts/odwp032k.dll?t=es&pr=fbn_dig_pr&db=fbn_dig&use=kw_titulos&disp=list&sort=off&ss=new&arg =luiscamoes

Lista dos livros:

Introdução à poesia de Luís de Camões”, por Maria Vitalina Leal de Matos

Entre Margens”, por Olga Magalhães, Fernanda Costa. Revisão científica por António Moreno, Helena Couto Lopes e João Veloso.

Gramática do Português Moderno”, por José Manuel de Castro Pinto e Maria do Céu Vieira Lopes.

Dicionário da Língua Portuguesa”, Texto Editora.



14 Visualizações 02/12/2019