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Auto da Barca do Inferno: Cena do Judeu
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Resumo do trabalho
Resumo/Apontamentos sobre a Cena do Judeu da obra "Auto da Barca do Inferno" de Gil Vicente, realizado no âmbito da disciplina de Português (9º ano).
Alcoviteira
Argumentos de defesa:
- A alcoviteira não queria entrar na barca do Diabo. “No é essa barca que eu cato”
- “Eu sô ua martela tal, açoutes tenho levados e tormentos suportados” - Ela pensa que merece entrar na barca do Anjo, pois diz que passou por muitas coisas más durante a sua vida.
- “E eu sou apostolada, angelada e martelada e fiz cousas mui divinas” - A alcoviteira considera-se uma santa e por isso merece entrar na barca do anjo.
Argumentos de acusação:
- “se viveste santa vida, vós a sêntires agora” - o Diabo acusa-a dizendo indirectamente à alcoviteira que ela não foi uma santa em terra, e que agora sofrerá as consequências pelo que fez durante a sua vida.
Condenação:
A alcoviteira aceita a sua condenação: “Hou barqueiros da má-hora, que é da prancha, que eis me vou? E há já muito que aqui estou, e pareço mal cá de fora”
O diabo orienta a alcoviteira: “Ora entrai, minha senhora, e serês bem recebida …”
Intenção critica:
A intenção de Gil Vicente nesta cena é criticar as alcoviteiras pela sua profissão e por ganharem dinheiro à custa da exploração de meninas.
Cómicos:
Cómico de linguagem
“Barqueiro mano, meus olhos, prancha a Brísida Vaz”
“Cuidais que trago piolhos …”
Recursos de estilo
“Três almários de mentir” – metáfora
“Três almários de mentir, e cinco cofres de enleos, e alguns furtos alheos, assim em jóias de vestir, guarda-roupa d’encobrir” – enumeração
Levava consigo uma grande quantidade de adereços para a sua profissão e as meninas que eram enganadas e exploradas por ela.
A alcoviteira era mandatária, convencida e mentirosa.
Ela achava-se uma santa, pois considerava que durante a sua vida em terra tinha feito “cousas mui divinas”, o que não acontecera.
Queria muito entrar na barca do Anjo, daí a sua linguagem implorativa quando falou com ele. E foi a personagem que mais falas teve na cena, pois pela sua profissão, a alcoviteira já estava habituada a ter que falar muito para convencer os outros.
Judeu
Argumentos de defesa:
“Porque nom irá o judeu onde vai Brísida Vaz?” - o judeu queria ir na mesma barca da alcoviteira.
Argumentos de acusação:
- “Nem eu nom passo cabrões” - o Diabo não queria deixar o judeu entrar na sua barca.
- “E ele mijou nos finados n’argueja de São Guião”, “E comia a carne da panela no dia de Nossa Senhora”, “E aperta o Salvador e mija na caravela” - o judeu para além de não ser cristão, não respeitava a religião e tomava algumas atitudes incorrectas.
- “ … sois mui ruim pessoa” - o Diabo acusava-o de ser uma pessoa má.
Elementos cénicos
Bode – significava o sacrifício dos animais e o apego à sua religião.
Condenação:
Ao contrário das outras personagens, o judeu não foi ter com o anjo, pois queria entrar na barca do Diabo porque não é cristão.
Intenção crítica:
A intenção de Gil Vicente nesta cena é criticar os judeus pelos seus rituais religiosos e pelos sacrifícios que causavam aos animais, e por estes não respeitarem a religião cristã.
Cómico
Cómico de linguagem: “, pedra miúda, lodo, chanto, fogo, lenha, caganeira que te venha”; “co’a beca nos focinhos!”; “Dize, filho da cornuda”; “Levai o cabrão na trela”
Cómico de situação: “veio o judeu, com um bode às costas”
Recursos de estilo
“Azar, pedra miúda, lodo, chanto, fogo, lenha” – enumeração
O judeu era interesseiro porque queria entrar na barca do inferno subornando o Diabo, mas este não o queria deixar entrar porque achava que ele era má pessoa.
Ele não foi na mesma barca que os restantes passageiros, porque naquela altura havia um grande preconceito para com os judeus.
O judeu não era cristão, por isso é que não falou com o anjo, e não respeitava a religião cristã, como mostram alguns dos seus actos.
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03/11/2019