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Ela Canta, Pobre Ceifeira (Análise do Poema)
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Resumo do trabalho
Análise do poema "Ela Canta, Pobre Ceifeira" de Fernando Pessoa, realizado no âmbito da disciplina de Português (12º ano)...
“Ela Canta Pobre Ceifeira”
.
Ela canta, pobre ceifeira
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
.
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz à o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.
.
Ah! canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!
.
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
.
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!
.
Tema
Desejo de ser inconsciente como a ceifeira ,
“Ah, poder ser tu, sendo eu!\Ter a tua alegre inconsciência,”
Estrutura Interna do poema
Este poema divide-se em duas partes.
Na primeira parte o sujeito lírico descreve a ceifeira e o seu canto.
“Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia / De alegre e anónima viuvez”
Na segunda parte, o sujeito lírico exprime a sua emoção em relação ao canto da ceifeira.
“O que em mim sente 'stá pensando”
“ Ter a tua alegre inconsciência”
Estrutura Externa do poema
A Ceifeira e o seu canto
Ceifeira:
- “pobre” e duma “anónima viuvez”
- Julga-se “feliz”
- Símbolo de harmonia, inconsciência e tranquilidade.
- Canta
- incerta voz
- Alegre inconsciência
“ E canta como se tivesse / Mais razões para cantar que a vida”.
O Canto:
- Era suave, “ondula como um canto de ave”( a voz)
- “Alegre” porque talvez ela se julgasse feliz, mas ela era “pobre” e a sua voz “cheia de anónima viuvez”.
- Inconsciente -a ceifeira canta “como se tivesse… razões para cantar”. Não as tem.
- Encanta e prende o poeta
Desejos e estado de espírito do sujeito Poético
- Deseja ser ela
- Desejava a inconsciência da ceifeira por ser (para ela) a única causa da sua alegria.
- O poeta é incapaz de permanecer ao nível das sensações, transforma-as de imediato em ideias
Dor de pensar
- O poeta sente a “dor de pensar” e deseja libertar-se dela
- Dor de pensar é um factor que invade a mente do poeta e o impede de viver plenamente a vida, ou seja, a extensão dos seus sentimentos é constantemente diminuída pela vastidão do seu pensamento
- “Pensa que a vida só vale a pena ser vivida quando vivida sem pensamento”
- “Mais feliz é aquele que vive na ignorância”
“Ah, poder ser tu, sendo eu! / Ter a tua alegre inconsciência, / E a consciência disso!”.
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19/09/2019