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A Acção Humana e os Valores

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Resumo do trabalho

Resumo/Apontamentos do módulo "A Acção Humana e os Valores", realizado no âmbito da disciplina de Filosofia (10º ano).


Distingue acto de acontecimento.

Actos são coisas que fazemos que implicam uma causalidade ou iniciativa da nossa parte, indicando sempre um sujeito que é o agente ou o autor da acção.

Acontecimentos são coisas que nos acontecem e, portanto, somos apenas receptores dos efeitos que não iniciamos. Indica um sujeito que sofre uma acção e que não é o autor da mesma.

Define acção humana.

É uma interferência intencional, consciente e voluntária de um agente no decurso normal das coisas que, sem a sua interferência, teriam seguido um caminho diferente.

Identifica e distingue actos voluntários de actos involuntários.

Actos voluntários são acções que fazemos de forma consciente, ou seja, com plena noção de que os estamos a realizar, como por exemplo ir à praia, estudar, acenar,…

Actos involuntários são os movimentos que realizamos independentemente da nossa vontade. Este tipo de acto pode ser dividido em:

  • Acto Involuntário e Consciente, quando não temos controlo sobre o que fazemos mas temos noção de que o estamos a fazer, por exemplo respirar, tremer de frio, transpirar, corar,…
  • Acto Involuntário e Inconsciente, quando não temos controle sobre o que fazemos nem temos ideia de que o estamos a fazer, como por exemplo sonhar ou ressonar.

Faz a distinção entre fazer e agir, entre conduta e acção.

Enquanto que o fazer inclui todas as actividades que realizamos, o agir inclui apenas as acções verdadeiramente humanas. Assim, o que fazemos só é considerado acção se for feito de forma consciente e voluntária.

Por outro lado, tudo o que fazemos é a nossa conduta, enquanto que a acção humana é apenas uma parcela do que fazemos, que inclui o que realizamos de forma consciente e voluntária e de forma consciente e involuntária.

Clarifica a noção de rede conceptual.

Rede Conceptual – É o conjunto de conceitos, onde cada conceito possui um significado específico que apenas pode ser compreendido na relação com os restantes significados. Neste sentido, é apenas nesta inter-relação de significados dos conceitos que a noção de acção pode ser compreendida por nós.

Define os conceitos da rede conceptual da acção: intenção; motivo; deliberação e decisão.

Eles são:

Intenção – Designa o propósito ou objectivo que guia a acção. A intenção serve para identificar a acção, respondendo à pergunta “Para quê?” da acção, ligando-se estreitamente ao motivo. Ex: Assaltei o banco para que pudesse ter dinheiro.

Motivo – Designa a razão invocada para tornar a acção intencional compreensível tanto para o agente como para os outros. O motivo é, assim, a razão que nos permite explicar e interpretar uma acção. Justifica os nossos actos e responde à pergunta “Porquê?”. Ex: Assaltei o banco porque não tinha dinheiro.

Deliberação – Designa o processo de reflexão que antecede a decisão. A deliberação é uma ponderação, na qual a vontade se une com a inteligência e são concebidas as diferentes possibilidades, e as razões a favor ou contra das mesmas.

Decisão – Designa o processo de eleição de uma hipótese da acção entre muitas outras; isto significa que nos determinamos a realizar um acto em detrimento de outros e também que tomar uma decisão implica sempre pôr de lado determinadas hipóteses, para nos entregarmos ao processo escolhido.

Distingue e relaciona intenção e motivo; deliberação e decisão, através de exemplos.

Relação entre intenção e motivo – É o motivo que torna inteligível a intenção. O motivo é a razão invocada para tornar a acção intencional compreensível e racional tanto para o agente como para os outros.

Relação entre deliberação e decisão – Quanto mais importante para as nossas vidas for a acção em questão, mais difíceis se tornam a deliberação e a decisão, especialmente se esta última comprometer seriamente o nosso futuro.

Define o conceito de agente, identificando-o como agente livre e responsável.

Agente é o “substracto” de toda a acção humana. Isto porque é no agente que todo o processo correspondente à acção humana toma lugar. Assim, sem agente não há intenção ou motivos, deliberação e, por fim, uma decisão não poderá ser tomada. Se este pertencente da rede conceptual da acção é livre pois toma as acções que quer então, consequentemente, também é responsável pelas mesmas.

PROBLEMA DA LIBERDADE E DETERMINISMO:

SEREMOS EFECTIVAMENTE LIVRES?

Duas respostas possíveis para o problema:

1 – Liberdade

2 - Determinismo

Liberdade:

Em sentido absoluto ou radical – Designa a possibilidade de agir na ausência de constrangimentos (internos ou externos). Aproxima-se muito da noção de livre – arbítrio.

Em sentido relativo – Designa a possibilidade de dispor de si mesmo, de se auto determinar, através da vontade, mas num campo limitado de possibilidades.

Determinismo:

Doutrina, frequentemente associada a uma visão determinista do mundo, segundo a qual todos os acontecimentos do Universo, incluindo as próprias acções humanas, estão submetidos a leis de carácter causal. Isto significa que todos os eventos, sem excepção, são efeitos: provocados por eventos anteriores.

PROBLEMA DO LIVRE – ARBÍTRIO:

COMPATIBILIZAR A LIBERDADE HUMANA COM AS OUTRAS FORÇAS QUE A PARECEM ANULAR?

Quatro respostas possíveis para o problema:

1 - Determinismo (radical ou absoluto)

2 - Indeterminismo

3 - Compatibilismo

4 - Libertismo

Causa   →    Efeito

Relação necessária

(que não se podia fazer de outra maneira) de dependência mútua

1. DETERMINISMO

RESPOSTA AO PROBLEMA DO LIVRE ARBÍTRIO – A liberdade não é compatível com a força que a anula: a causa.

Tese que defende que as acções humanas são determinadas por causas necessárias (impossíveis de ser alteradas), são previsíveis e inevitáveis, portanto o ser humano não é livre.

1.1. ARGUMENTOS

1.1.1. Se o ser humano faz parte do mundo natural, então terá que obedecer às mesmas leis que os restantes fenómenos e seres. Desta forma, não há qualquer tipo de liberdade e, consequentemente, livre-arbítrio.

1.1.2. Se o passado controla o futuro, ou seja, se a uma causa se segue necessariamente um efeito e nós não podemos controlar as causas, isso significa que o ser humano não tem o poder para interferir no processo Causa-Efeito (não pode controlar a forma como a causa gera um efeito). Logo, não é livre.

1.2. CONSEQUÊNCIAS IMPLICADAS NA DEFESA DESTA TESE

1.2.1. As acções humanas são inevitáveis;

1.2.2. As acções humanas são meros efeitos de causas que não controlamos;

1.2.3. Não podemos ser responsabilizados pelas acções;

1.2.4. Se não podemos ser responsabilizados pelas nossas acções, então a noção de justiça e as ideias de Bem e Mal não fazem sentido;

NÃO RESOLVE O PROBLEMA DO LIVRE-ARBÍTRIO

2. INDETERMINISMO

RESPOSTA AO PROBLEMA DO LIVRE ARBÍTRIO - A liberdade não é compatível com as forças que a anulam: o acaso e o aleatório.

Tese que defende que as acções humanas são o resultado imprevisível do acaso e são indeterminadas, portanto o ser humano não é livre.

2.1.  ARGUMENTOS

2.1.1. Assim como num sistema microfísico não podemos prever o comportamento das partículas porque sobre elas actua o acaso, também não podemos prever as acções humanas – são imprevisíveis ou apenas prováveis. Assim, se o acaso controla as acções humanas, então tais acções não dependem da vontade livre do agente.

2.2. CONSEQUÊNCIAS IMPLICADAS NA DEFESA DESTA TESE

2.2.1. As acções humanas são aleatórias ou fruto do acaso.

2.2.2. As acções humanas são imprevisíveis, portanto não são livres.

2.2.3. O agente não pode ser responsabilizado.

NÃO RESOLVE O PROBLEMA DO LIVRE-ARBÍTRIO

DILEMA DO DETERMINISMO:

Tanto a tese Determinista como a tese Indeterminista, apesar de partirem de argumentos contrários, chegam à mesma conclusão: a negação da liberdade e da responsabilidade. Se o Determinismo for verdadeiro, as acções estão dependentes de causas que o agente não domina, logo não são livres. Se o Indeterminismo for verdadeiro, então as acções estão dependentes do acaso e não da vontade do agente, logo não são livres.

3. COMPATIBILISMO

RESPOSTA AO PROBLEMA DO LIVRE ARBÍTRIO - A liberdade é compatível com o determinismo (forças que a anulam).

Tese que defende que é possível compatibilizar o determinismo com a vontade livre, ou seja, aceita-se o determinismo do mundo natural mas também que há espaço para a liberdade e responsabilidade humana.

Assim, mesmo que as nossas acções sejam determinadas ou causadas, podemos sempre agir de maneira diferente, se assim escolhermos.

ARGUMENTO PRINCIPAL DA TESE

3.1. CONSEQUÊNCIAS IMPLICADAS NA DEFESA DESTA TESE

3.1.1. Se, apesar de determinados podemos agir livremente, então não só somos livres como responsabilizados.

RESOLVE O DO PROBLEMA DO LIVRE-ARBÍTRIO

4. LIBERTISMO

RESPOSTA AO PROBLEMA DO LIVRE ARBÍTRIO – Não há compatibilidade entre a liberdade e o determinismo, pois somos absolutamente livres.

Tese que defende, de modo radical, a liberdade e a responsabilidade humanas, ou seja, o ser humano não é determinado, pois ele tem o poder de se auto determinar através da sua mente.

4.1. ARGUMENTO

4.1.1. A vontade do ser humano não é causalmente determinada nem aleatória, pois o agente tem o poder de interferir no curso normal das coisas, através da sua mente.

Assim, defende-se uma separação entre o corpo e a mente, sendo que esta última está fora do domínio das leis da Natureza que determinam o ser humano. A mente é capaz de se auto determinar.

4.2. CONSEQUÊNCIA IMPLICADA NA DEFESA DESTA TESE

4.2.1. Se o ser humano é capaz de se auto determinar, então ele é absolutamente livre e responsável.

NÃO RESOLVE O PROBLEMA DO LIVRE-ARBÍTRIO

TIPOS DE CONDICIONANTES

  • CONDICIONANTE AMBIENTAL: Temos de vestir um casaco porque está muito frio.
  • CONDICIONANTE HEREDITÁRIA: Tenho os olhos castanhos porque os “recebi” da minha mãe.
  • CONDICIONANTE PSICOLÓGICA: A minha capacidade de memorização é muito boa.
  • CONDICIONANTE FÍSICA/CORPORAL: Problema de estômago
  • CONDICIONANTE GEOGRÁFICA: Propensão para a queda
  • CONDICIONANTE RELIGIOSA: Religião católica
  • CONDICIONANTE POLÍTICA: Políticas Anti - Natalistas
  • CONDICIONANTE HISTÓRICO/CULTURAL: Tradição
  • CONDICIONANTE ECONÓMICA: Não tenho dinheiro, por isso não compro este produto.
  • CONDICIONANTE SOCIAL: Discriminação
  • CONDICIONANTE LINGUÍSTICA: Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo.
  • CONDICIONANTE EDUCACIONAL: Analfabetismo

Identifica e caracteriza as condicionantes da acção humana.

Existem dois tipos de condicionantes:

Condicionantes físico – bio -psicológicas:

Conjunto de factores relacionados com as leis físicas, químicas, biológicas e psicológicas, que nos governam enquanto corpos vivos. Estes factores limitam a liberdade do ser humano mas também lhe abrem um enorme leque de possibilidades, condicionando o que podemos fazer e como o podemos fazer.

Condicionantes histórico - sócio – culturais:

Conjunto de factores relacionados com o mundo histórico, social e cultural (hábitos, crenças, valores, padrões de conduta, normas,…), a partir dos quais se constrói a nossa Humanidade e se definem os  nossos modos de ser, estar e sentir. Tal como as condicionantes anteriores, estas também limitam a liberdade do agente e, ao mesmo tempo, lhe abrem um enorme leque de possibilidades.

  No entanto, apesar de estas condicionantes existirem, são elas que nos tornam únicos, constituindo assim também um factor da nossa liberdade.

Será que, apesar das condicionantes da acção humana, o homem é livre?

Sim, pois apesar de o Homem estar limitado por vários tipos de condicionantes, ele pode sempre escolher entre várias possibilidades, tornando a sua liberdade uma conquista constante.

Assim, o Homem precisa de reconhecer os seus limites para de poder afirmar, auto determinar e construir-se a si próprio.

Como o Homem nasce imperfeito e inacabado, tem de criar-se a si próprio e ao mundo através da sua vontade livre. Só estas características é que tornam a liberdade uma conquista possível para o Homem.



169 Visualizações 04/11/2019