O teu país

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod


Beatriz Bocinhas

Escola

[Escola não identificada]

Auto da Barca do Inferno (Resumo)

Todos os trabalhos publicados foram gentilmente enviados por estudantes – se também quiseres contribuir para apoiar o nosso portal faz como o(a) Beatriz Bocinhas e envia também os teus trabalhos, resumos e apontamentos para o nosso mail: geral@notapositiva.com.

Resumo do trabalho


Resumo do Auto da Barca do Inferno

O «Auto da Barca do Inferno» é uma peça teatral da autoria de Gil Vicente, escrita em 1517, e que retrata a sociedade portuguesa do século XVI de uma forma satírica e humorística. O cenário da peça é um porto onde se encontram duas barcas: a barca conduzida pelo diabo e que leva as almas para o inferno e a barca conduzida pelo anjo e que leva as almas para o paraíso. Em cada cena é inquirida uma pessoa e o diabo e o anjo decidem em que barca deverão entrar.

Cena II – O Fidalgo

Personagem / Classe social

  • Fidalgo/ nobreza

Elementos / Simbologia

  • Pajem – simboliza a tirania e o desprezo pelos mais necessitados
  • Cadeira – simboliza poder, o seu estatuto social
  • Manto – simboliza a sua riqueza e vaidade (presunção)

Percurso cénico

Cais → Barca do Diabo → Barca do Anjo → Barca do Diabo

Caracterização psicológica

  • Vaidoso
  • Infiel
  • Presunçoso
  • Tirano
  • Não ajudava os outros

Acusações

  • Viveu a seu belo prazer
  • Foi tirano
  • Desprezou e não ajudou os mais fracos
  • Foi vaidoso
  • Foi infiel

Argumentos de defesa

  • Deixa na outra vida, quem reze por ele
  • Morreu sem estar à espera, sem contar
  • É Fidalgo de solar (condição social – nobre)

Destino

  • Inferno

Intenção crítica

Gil Vicente pretende:
  • Acusar a Nobreza de tirania e desprezo pelos mais necessitados
  • Denunciar a infidelidade conjugal
  • Demonstrar a vaidade e presunção dos nobres

Cena III – O Onzeneiro

Personagem / Classe social

  • Onzeneiro/ nobre

Elementos / Simbologia

  • Bolsão: simboliza a sua ganância/ avareza/ ambição desmedida/ o apego ao dinheiro

Percurso cénico

Cais → Barca do Diabo → Barca do Anjo → Barca do Diabo

Caracterização psicológica

  • Pecador
  • Ladrão
  • Usuário
  • Rico

Acusações

  • Roubar, através dos Juros elevados
  • Ter o coração cheio de pecados (ambição, maldade)

Argumentos de defesa

  • Tem muito dinheiro em terra e poderá pagar a passagem
  • O bolsão está vazio

Destino

  • Inferno

Intenção crítica

Gil Vicente pretende:
  • Criticar a prática da usura, denunciando o enriquecimento rápido e fácil à custa dos mais necessitados
  • Fazer ver às pessoas que o dinheiro que tem não lhes vale de nada, quando morrerem o importante é as boas acções que fizeram.

Cena IV – O Parvo

Personagem / Classe social

  • Parvo/ povo

Elementos / Simbologia

  • Não tem

Percurso cénico

  • Cais → Barca do Diabo → Barca do Anjo → Barca do Diabo (fica no cais)

Caracterização psicológica

  • Malcriado/ grosseiro
  • Inconsciente
  • Simples
  • Humilde
  • Cómico/ engraçado

Acusações

  • Não é acusado

Argumentos de defesa

  • Como não é acusado, não precisa de se defender.

Destino

  • Fica no cais

Intenção crítica

Gil Vicente pretende:
  • Enaltecer os pobres de espírito que, graças à sua simplicidade e humilde obtêm a misericórdia divina
* A função desta personagem é fazer rir e vai acusar as personagens que estão para chegar.

Cena V – O Sapateiro

Personagem / Classe social

  • Sapateiro/ povo

Elementos / Simbologia

  • Avental / formas dos sapatos – simbolizam a sua profissão e os seus pecados

Percurso cénico

Cais → Barca do Diabo → Barca do Anjo → Barca do Diabo

Caracterização psicológica

  • Mentiroso
  • Ladrão
  • Falso religioso
  • Malcriado
  • Hipócrita
  • Trocista

Acusações

  • Roubou o povo
  • É mentiroso
  • Não viveu honestamente
  • Foi excomungado

Argumentos de defesa

  • Morreu confessado e comungado
  • Ouviu muitas missas
  • Deu esmolas à igreja
  • Assistiu à hora dos finados

Destino

  • Inferno

Intenção crítica

Gil Vicente pretende:
  • Denunciar a exploração dos indivíduos da mesma classe
  • A hipocrisia daqueles que praticam, sem fé, os diferentes actos religiosos.

Cena VI – O Frade

Personagem / Classe social

  • Frade/ clero

Elementos / Simbologia

  • Broquel/ capacete/ espada – simbolizavam o apego aos prazeres e vícios mundanos
  • Hábito – Condição sacerdotal (classe social – clero)
  • Florença – quebra dos votos de castidade, a sua imoralidade e infidelidade a Deus

Percurso cénico

  • Cais → Barca do Diabo → Barca do Anjo → Barca do Diabo

Caracterização psicológica

  • Alegre
  • Bem-disposto
  • Convencido
  • Vaidoso
  • Exibicionista
  • Namoradeiro
  • Infiel a Deus
  • Mundano

Acusações

  • Não cumpriu na totalidade as leis religiosas
  • Quebrou os votos de castidade ao folgar com uma mulher
  • Dedicava-se aos prazeres mundanos

Argumentos de defesa

  • Rezou muitos salmos
  • (“Este hábito não me vale”)
  • Dizia que foi muito importante
  • Era bom esgrimista

Destino

  • Inferno

Intenção crítica

Gil Vicente pretende:
  • Criticar os membros do clero que não viviam em conformidade com os preceitos religiosos/ cristãos
  • Denunciar a contradição entre os actos praticados e os valores morais que o clero devia assumir.

Cena VII – A Alcoviteira

Personagem / Classe social

  • Alcoviteira/ povo

Elementos / Simbologia

  • Raparigas/ jóias/ Roupas/ estrato de cortiça/ casa movediça/ cofres de enleios/ armários de mentiras/ almofadas/ frutos alheios - simbolizavam a sua actividade profissional e seus pecados (imoralidade, mentira, roubo)

Percurso cénico

  • Cais → Barca do Diabo → Barca do Anjo → Barca do Diabo

Caracterização psicológica

  • Imoral
  • Mentirosa
  • Ladra
  • Fingida
  • Hipócrita

Acusações

  • Viveu “santa vida”
  • Desencaminhou as raparigas
  • Roubou e mentiu

Argumentos de defesa

  • Serviu o clero (criava as meninas para os Cónegos da Sé)
  • Foi martirizada, castigada e suportou tormentos
  • Considerava-se “angelada” (protegeu as raparigas)

Destino

  • Inferno

Intenção crítica

Gil Vicente pretende:
  • Criticar a prática da prostituição e seus agentes
  • Denunciar a quebra dos votos de castidade dos membros do clero

Cena VIII – O Judeu

Personagem / Classe social

  • Judeu/ povo

Elementos / Simbologia

  • Bode – simbolizava o seu fanatismo religioso

Percurso cénico

  • Cais → Barca do Diabo → Barca do Anjo → Barca do Diabo

Caracterização psicológica

  • Corrupto
  • Avarento
  • Fanático pela religião
  • Malcriado
  • Teimoso
  • Persistente

Acusações

  • Praticou o Judaísmo
  • Tentou subornar os outros
  • Não respeitou os dias de jejum e abstinência
  • Profanou os locais sagrados

Argumentos de defesa

  • Não se defende, pois se o Judaísmo era a sua religião, era essa que ele tinha que respeitar

Destino

  • Inferno

Intenção crítica

Gil Vicente pretende:
  • Denunciar o fanatismo religioso dos Judeus e apego ao dinheiro
  • Condenar a teimosia dos Judeus que recusavam em aceitar a salvação, representada em Jesus Cristo

Cena IX – O Corregedor e o Procurador

Personagem / Classe social

  • Corregedor – juiz
  • Procurador - advogado

Elementos / Simbologia

  • Processos/ Vara/ Livros – simbolizavam a actividade profissional e os pecados (processos mal conduzidos, os subornos)

Percurso cénico

  • Cais → Barca do Diabo → Barca do Anjo → Barca do Diabo

Caracterização psicológica

  • Corrupto
  • Altivos
  • Presunçosos
  • Desonestos
  • Mentirosos
  • Falsos religiosos
  • Injustos
  • Parciais

Acusações

  • Aceitar subornos
  • Não ajudar os mais necessitados
  • Mentirosos e injustos
  • Enriquecem à custa dos outros
  • Deixou-se corromper
  • Não julgar com imparcialidade
  • Não confessou os pecados todos

Argumentos de defesa

  • Quem aceitou os subornos foi a mulher
  • Espera em Deus
  • Confessou-se
  • Agiu com justiça

Destino

  • Inferno

Intenção crítica

Gil Vicente pretende:
  • Denunciar a prática fraudulenta da justiça e a corrupção de todos os agentes envolvidos nos processos judiciais
  • Atingir todos os que se vão confessar e que ocultam os pecados mais graves.

Cena X – O Enforcado

Personagem / Classe social

  • Enforcado/ povo

Elementos / Simbologia

  • Corda – Representa a forma como o Enforcado morreu e a crítica aos oficiais da Justiça que condenavam injustamente

Percurso cénico

  • Cais → Barca do Diabo

Caracterização psicológica

  • Ingénuo
  • Influenciável
  • Surpreso

Acusações

  • Não existem

Argumentos de defesa

  • Não existem

Destino

  • Inferno

Intenção crítica

Gil Vicente pretende:
  • Denunciar a cumplicidade dos altos funcionários da corte (Garcia Moniz) e dos criminosos.

Cena XI – Os Quatro Cavaleiros

Personagem / Classe social

  • Quatro Cavaleiros

Elementos / Simbologia

  • A Cruz de Cristo/ Os escudos/ as espadas – Simbolizam a fé e a luta em nome de Deus

Percurso cénico

  • Cais → Barca do Anjo

Caracterização psicológica

  • Confiantes
  • Verdadeiros cristãos
  • Corajosos
  • Lutadores
  • Orgulhosos na sua missão

Acusações

  • Não existem

Argumentos de defesa

  • Não existem

Destino

  • Céu

Intenção moralizadora

Gil Vicente pretende:
  • Transmitir a ideia de que só é verdadeiramente salvo aquele que viver uma vida dedicada a Cristo, desprendida de bens materiais

Sequências narrativas do conto:

  • Morte do Rei
  • Reacção da Rainha à morte do seu Rei
  • Caracterização do tio bastardo
  • Aparecimento da personagem principal
  • Descrição comparativa do príncipe e do escravo
  • Crença na religião dos seus senhores
  • Preocupação da aia com o futuro do príncipe
  • Fragilidade do príncipe vs a tranquilidade do escravo
  • Medo que reinava no palácio
  • Pressentimento da aia com o futuro do príncipe
  • Atitude impulsiva da Aia na troca das crianças
  • Rapto do “príncipe”
  • Invasão da câmara pela rainha, gritando
  • Tomada de consciência pela rainha do acto da Aia
  • Comunicação da morte do tio e da sua horda, assim como a do “tenro príncipe”
  • Atitude da rainha face ao feito da Aia
  • Aclamação da multidão para que a serva fosse recompensada pelo seu acto
  • O caminhar doloroso da Aia para a câmara dos tesouros
  • Descrição da magnificência do tesouro real
  • Escolha da recompensa pela Aia
  • Morte da Aia com um punhal
O narrador deste conto é não participante, visto que não participa na história e é objectivo porque não deixa transparecer a sua opinião. Um elemento textual que o pode justificar é: “Era uma vez”.
  • Expressões que mostram o fluir do tempo são: “Era uma vez”; “A Lua começara a minguar”, “Ora uma noite…” e “… e já o Sol se erguia…”
  • O espaço exterior (reino) é-nos descrito como um espaço rico, povoado e abundante.
  • O espaço interior são o quarto dos bebés e a câmara dos tesouros. O quarto tinha uma janela com uma cortina e dois berços diferentes. A câmara era um local seguro, magnífico, luminoso e rico.
  • Caracterização física e psicológica da Aia: A aia era bela e robusta, pálida, muda e hirta. Psicologicamente, era leal, corajosa, protectora, crente, amiga, dedicada, carinhosa, perspicaz, decidida, confiante, angustiado e triste depois da morte do seu filho.
  • Caracterização física e psicológica da Rainha: A rainha entra no quarto dos bebés quase nua e desgrenhada. Psicologicamente era apaixonada, desolada por perder o seu marido, chorosa, desgostosa e aflita quando se apercebe que o filho desaparecera.
  • O modo de representação do discurso que predomina neste conto é a Narração.

Exemplo: “rapidamente (…) arrebatou o príncipe (…) atirou-o (…) deitou-o.

  • Outro dos modos de representação do discurso conhecido é a Descrição

Exemplo: “tinha cabelo loiro e fino.”

Nota:

Categorias da Narrativa
Narrador
  • Presença – Participação como personagem/ participante como observador/ não participante
  • Posição – Objectivo/ Subjectivo
Modos de representação do discurso – Narração/ Descrição Modos de Expressão – Diálogo/ Monólogo
Figuras de estilo
Nome da figura de Estilo Exemplo
Comparação “Os olhos de ambos reluziam como pedras preciosas”
Dupla Adjectivação “…Corriam passos pesados e rudes…”
Enumeração “E além, ao fundo da galeria, avistou homens, um clarão de lanternas, brilhos de armas..”
Metáfora “Uma roca não governa como uma espada”
Personificação “Depois houve um silêncio, ansioso”
Polissíndeto “..e já o sol se erguia, e era tarde, e o seu menino chorava decerto, e procurava…”



66 Visualizações 19/06/2019