Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod
Todos os trabalhos publicados foram gentilmente enviados por estudantes – se também quiseres contribuir para apoiar o nosso portal faz como o(a) Michelle Soares e envia também os teus trabalhos, resumos e apontamentos para o nosso mail: geral@notapositiva.com.
Trabalho escolar sobre a poesia de Fernando Pessoa - Ortónimo, realizado no âmbito da disciplina de Português (12º ano de escolaridade).
No ortónimo há poemas mais tradicionais com influência da lírica de Garrett ou de sebastianismo e do saudosismo; mas a maior parte abre caminho a experimentações modernistas com a procura de
intelectualização das sensações e dos sentimentos.
A poesia ortonímica apresenta suavidade rítmica e musical, em versos geralmente curtos.
Na poesia pessoana, é constante, também, o conflito entre o pensar e sentir, que em boa parte revela a dificuldade em conciliar o que idealiza com o que consegue realizar, com a sequente frustração que a consciência de tudo isto implica. Revela-se aí o drama da personalidade que o leva à dispersão, em relação ao real e a si mesmo.
A voz do poeta fingidor é a voz do poeta da modernidade, despersonalizado, que tenta encontrar a unidade entre experiência do sensível e a inteligência e, assim, atingir a finalidade da Arte, aumentando a autoconsciência humana.
A poesia do ortónimo é uma tentativa de resposta a várias inquietações que perturbam o poeta. A realidade por si percecionada custa-lhe uma atitude de estranheza e, consequentemente, condu-lo a uma situação de negação face ao que as suas perceções lhe transmitem.
Assim, Fernando Pessoa recusa o mundo sensível, privilegiando o mundo inteligível (platónico), aquele a que ele não tem acesso.
(“Essa coisa é que é linda”, em “Isto”)
Esta inquietação dá origem a uma poesia que abrange várias tendências que vão desde a nostalgia de um bem perdido até ao intersecionismo impressionista.
Algumas das suas composições seguem na continuidade do lirismo português, com marcas do saudosismo- poemas de métrica curta, manifestando preferência pela quadra e quintilha.
Outras iniciam o processo de rutura, que se concretiza nos heterónimos modernistas que vão desde o simbolismo ao paulismo e intersecionismo, no Pessoa ortónimo.

Fernando Pessoa
Fernando Pessoa sente-se condenado a ser lúcido, a ter de pensar.
Gostava, muitas vezes, de ter a inconsciência das coisas ou dos seres comuns (como uma pobre ceifeira ou como o gato que brinca na rua, cumprindo apenas as leis do instinto).
Com uma inteligência analítica e imaginativa a interferir em toda a sua relação com o mundo e com a vida, o “eu” poético tanto aceita a consciência como sente uma verdadeira dor de pensar, que traduz insatisfação e dúvida sobre a utilidade do pensamento.
Impedido de ser feliz, devido à lucidez, procura a realização do paradoxo de ter uma consciência inconsciente. Mas ao pensar sobre o pensamento, percebe o vazio que não permite conciliar a consciência e a inconsciência.
Fernando Pessoa não consegue fruir instintivamente a vida por ser consciente e pela própria efemeridade. Muitas vezes, a felicidade parece existir na ordem inversa do pensamento e da consciência.
Esta dor de pensar persegue-se desde sempre, manifestando-se em vários poemas. Como tal, são frequentes as tensões ou dicotomias que espelham a sua complexidade interior:
O poeta questiona-se sobre a sinceridade poética e conclui que “fingir é conhecer-se”, daí a despersonalização do poeta fingidor que fala e que se identifica com a própria criação poética, como impõe a modernidade.
No poema “Autopsicografia” definem-se claramente os lugares da inteligência e do coração (sentimento) na criação artística.
É assim que este poeta, possuidor de uma impressionante capacidade de despersonalização, procura, através da fragmentação do “eu” atingir a finalidade da Arte, servindo-se da intelectualização do sentimento que fundamenta o poeta fingidor.

O tempo é para ele como fator de desagregação na medida em que tudo é breve, tudo é efémero. O tempo apaga tudo.