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Resumo/Apontamentos sobre gramática, com vista à preparação do exame nacional, realizado no âmbito da disciplina de Português (12º ano).
A deixis designa o conjunto de palavras ou expressões (expressões deíticas) que têm como função ‘apontar’ para o contexto situacional. Assim, assinalam o sujeito que enuncia (locutor), o sujeito a quem se dirige (interlocutor), o tempo e o espaço da enunciação. Em função da sua natureza deítica, é possível apresentar a seguinte classificação:
Sempre que alguém fala, realiza em simultâneo três ações:
Considere-se o seguinte exemplo, enunciado por um professor na sala de aula:
- Está a ficar escuro!
Este enunciado é um ato locutório, na medida em que o professor pronuncia uma frase que obedece às regras gramaticais e é contextualmente correta.
É também um ato ilocutório, pois trata-se da ação de afirmar ou de ordenar (indiretamente) que levará a uma determinada ação por parte do interlocutor.
A ação realizada pelo interlocutor constitui o ato perlocutório. Neste caso, a enunciação pode levar um aluno a acender a luz ou a abrir os estores.
É possível classificar os atos ilocutórios com base nas intenções comunicativas (objetivo ilocutório) e na função que assumem no contexto da sua enunciação (força ilocutória).
Dois enunciados podem ter o mesmo objetivo ilocutório mas forças ilocutórias distintas. Por exemplo, uma ordem e um pedido têm o mesmo objetivo ilocutório (levar alguém a agir), no entanto as suas forças ilocutórias são diferentes, já que o primeiro tem a força ilocutória de uma ordem e o segundo a de um pedido.
| Tipo | Objetivo ilocutório |
| Atos ilocutórios assertivos | Descrever um determinado estado de coisas e exprimir a crença na verdade do seu enunciado (1). |
| Atos ilocutórios diretivos | Levar o interlocutor* a praticar uma ação futura, que pode ser de natureza verbal [ato ilocutório diretivo de resposta verbal: perguntas (2)] ou não verbal [ato ilocutório diretivo de resposta não verbal (3)]. |
| Atos ilocutórios compromissivos | Comprometer o locutor*1 relativamente à prática de uma ação futura (4). |
| Atos ilocutórios expressivos | Exprimir o estado psicológico do locutor relativamente ao conteúdo do seu enunciado, sendo necessário que este seja sincero naquilo que exprime. Podem ser realizados utilizando verbos como agradecer (5) ou lamentar (6); frases e expressões exclamativas com adjetivos valorativos (7) ou ainda frases exclamativas com verbos de valor afetivo como adorar (8), gostar, odiar, etc. |
| Atos ilocutórios declarativos | Ciar uma nova realidade, capacidade que lhe advém do seu estatuto institucional (9). |
| Atos ilocutórios indiretos | Transmitir no enunciado do locutor mais do que aquilo que realmente diz, ou transmitir algo diferente (10). |
*1 a quem a frase se dirige *2 quem anuncia a frase
EX: (1) «Não percebo esta matéria.»
(2) «O que pensas deste filme?»
(3) «Conduz mais devagar!»
(4) «Prometo que estarei lá à hora marcada.»
(5) «Obrigada pela folha.»
(6) «Lamento o atraso.»
(7) «Boa noite!»
(8) «Adoro viajar!»
(9) «Declaro-vos marido e mulher.»
(10) «Sabe onde fica o Centro de Congressos?»
o que o locutor quis de fato transmitir foi diga-me onde fica o Centro de Congressos.
Quando relata um discurso anteriormente proferido, o locutor reproduz, no seu próprio discurso, o discurso de outro locutor expresso noutra situação de enunciação. Há cinco grandes modalidades de reprodução do discurso no discurso:
É o modo de enunciação que reproduz o discurso de locutores ocorrido em situação enunciativas anteriores, tal como foi dito ou pensado. Quando se trata de um texto ficcional, o narrador coloca as próprias personagens a apresentar diretamente as suas palavras. Geralmente introduzido por verbos de tipo declarativo (ex.: dizer, afirmar, etc.) que podem surgir no início, no meio ou no fim do relato, carateriza-se pela utilização de alguns sinais auxiliares que permitem identificar um novo enunciado de um locutor: travessões, por exemplo.
E foi já ao café que uns gaúchos fizeram o favor de servir à mesa, […], que Joel se inclinou um pouco para Carmos Vermelho e ciciou:
─ Precisava de falar contigo…
É um modo de relato de discurso frequente na literatura atual, permitindo criar novos efeitos estéticos pelas possibilidades de maior liberdade narrativa que oferece. As falas ou os pensamentos das personagens aparecem imersos no discurso do narrador e desaparecem as marcas formais que assinalam a mediação do narrador (mudança de parágrafo, aspas, uso de travessões, etc.).
«Já não via as pessoas. Passava o tempo a falar com elas mas tinha deixado de as ver. As pessoas começavam logo de manhã a falar. A primeira era a voz do canalizador que tinha ficado de ir às oito e meia mas não tinha podido aparecer e por isso pede muita desculpa mas agora só daqui a dois meses e três e dois minutos é que volta a ter tempo para ocupar-se daquele assunto da banheira bem vistas as coisas não é assim tão urgente ele até tinha um problema semelhante na casa do engenheiro nunes não sei se conhece o senhor engenheiro aquele que trabalha na câmara e por isso isto da banheira arruma-se de vez lá para julho em todo o caso ainda antes das férias porque depois metem-se as férias e é o diabo.»
O discurso indireto implica uma enunciação indireta, na medida em que um locutor ou narrador se apropria de um discurso proferido anteriormente para o reproduzir à sua maneira. Este tipo de discurso é geralmente introduzido por verbos declarativos (dizer, afirmar, responder, etc.).
Eva quis saber mais sobre este Dalai-Lama de que tanto se falava. Maria das Dores disse que a perita era a irmã, que tinha melhores olhos e conseguia ler a letra pequenina.
Neste modo de relato de discurso, a enunciação do locutor-relator funde-se com a enunciação do primeiro locutor, sendo difícil fazer a sua identificação, ao contrário do que se verifica no discurso direto e no discurso indireto.
A citação é um texto ou excerto reproduzido noutro discurso, fazendo-se referência ao autor e/ou à obra a que pertence. Assinala-se graficamente com aspas ou com um tipo de letra diferente e são uma das manifestações da intertextualidade.
A principal mudança de natureza fonológica que marca o português do séc. XVI é a simplificação do sistema de sibilantes […]. A este respeito, Teyssier afirma categoricamente que o português clássico ainda encontra um sistema de quatro sibilantes:
“A existência de quatro unidades distintivas no português do início do século XVI não sofre dúvida.” (Teyssier 1982: 50)
Frase simples - frase em que existe um único verbo principal ou copulativo.
Frase complexa - frase em que existe mais do que um verbo principal ou copulativo, que contêm mais do que uma oração. Numa frase complexa, podemos ter orações coordenadas e/ou subordinantes e subordinadas.
. CoordenaçãoA coordenação é a relação sintática estabelecida entre elementos que pertencem à mesma categoria gramatical e que desempenham a mesma função sintática.
As orações coordenadas podem-se classificar em:
Copulativa – estabelece uma relação de adição com a(s) oração(ões) com que se combina.
EX: «Estou cansado e vou descansar.»
Adversativa – transmite uma ideia de contraste, de oposição, relativamente à ideia expressa na frase ou oração com que se combina.
EX: «Estou cansado, mas vou continuar.»
Disjuntiva – exprime um valor de alternativa face ao que é expresso pela oração com que se combina.
EX: «Ou descanso ou não posso continuar.»
Conclusiva – transmite uma ideia de conclusão decorrente da ideia expressa na frase ou oração com que se combina.
EX: «Estou cansado, logo não posso continuar.»
Explicativa – apresenta uma justificação ou explicação relativa à frase ou oração com que se combina.
EX: «Estou cansado porque andei muito.»
A subordinação é a relação sintática estabelecida entre orações em que uma (subordinada) está sintaticamente dependente de outra (subordinante).
As orações subordinadas podem-se classificar em:
Substantiva – desempenha a função sintática de sujeito ou de complemento de um verbo, nome ou adjetivo, podendo ser facilmente substituída por um pronome como isso e subdividindo-se em:
Completiva, que completa a ideia da oração anterior e pode ser introduzida pelas conjunções subordinativas «que», «se» e «para».
EX: «Eu bem sei que tu não voltas».
Relativa, que é introduzida por quantificadores e pronomes relativos sem antecedente, como quem, o que, onde, quanto, que, o qual, os quais, a qual, as quais.
EX: «Quem espera sempre alcança.»
Adjetivas – exerce a mesma função que um adjetivo e subdivide-se em:
. Relativa restritiva, que tem como função restringir a informação dada sobre o antecedente; a sua omissão acarreta uma alteração do sentido da oração subordinante, pois apresenta informação relevante para a definição do antecedente.
EX: «O poeta português que escreveu Os Lusíadas foi grandioso.»
. Relativa explicativa, que apresenta informação adicional sobre o antecedente; a sua omissão não altera o sentido da oração subordinante, uma vez que o antecedente já se encontra suficientemente definido.
EX: «A literatura, que é imortal, encanta os leitores.»
. Adverbiais – desempenha a função sintática de modificador da frase ou do grupo verbal e, modificando o sentido de outras orações, subdivide-se em:
. Causal, que indica a causa ou o motivo daquilo que é expresso na subordinante.
EX: «Não compro este carro porque consome muito.»
. Final, que enuncia o objetivo da realização da situação descrita na subordinante.
EX: «Leva dinheiro para pagares as compras.»
. Temporal, que estabelece a referência temporal em relação à qual a subordinante é interpretada.
EX: «Estavas ao telefone, quando entrei.»
. Concessiva, que admite algo contrário ao que é apresentado na subordinante mas incapaz de impedi-lo.
EX: «Iremos à piscina, embora não seja do meu agrado.»
. Condicional, que indica uma hipótese ou condição em relação ao que é expresso na subordinante.
EX: «Se ele fosse rico, teria muitos criados.»
. Comparativa, que contém o segundo elemento de uma comparação que estabelece em relação a uma situação apresentada na subordinante.
EX: «Ele trata-me como se eu fosse sua inimiga.»
. Consecutiva, que apresenta uma consequência da situação expressa na subordinante.
EX: «Comi tanto que fiquei indisposta.»
Funções sintáticas ao nível da frase:
. Subentendido – quando é possível identificar no contexto o referente para o qual remete o sufixo flexional.
EX: «[Tu] Querias crescer depressa, aí tens.»
. Indeterminado – quando o verbo se encontra na 3ª pessoa do plural ou do singular, acompanhado, neste último caso, do pronome pessoal se com valor impessoal, não sendo possível identificar o referente do sujeito nulo indeterminado, uma vez que não é definido nem específico. EX: «Disseram-me que ia chover.»; «Via-se bem que alguns deles faziam logo as contas.»
. Expletivo – ocorre apenas com verbos impessoais. EX: «Havia já algumas pessoas à sombra dos toldos ou estendidos ao sol.»
. Predicado – função sintática desempenhada pelo grupo verbal.
. Modificador da frase – grupo preposicional (1) ou adverbial (2) que, ao contrário dos complementos, não sendo selecionados pelo verbo, modificam-no, acrescentando informação suplementar. Caracterizam-se essencialmente pela sua grande mobilidade, podendo ocorrer em várias posições da frase.
EX: (1) «O carrinho partiu, com Lourival, por entre a azinhaga.» (2) «O conselheiro enrolava vagarosamente o seu lenço de seda da Índia.»
. Vocativo – constituinte (não obrigatório) que identifica o interlocutor, ocorrendo em frases imperativas (1), exclamativas (2) e interrogativas (3).
EX: (1) «Fecha a porta, Pedro.» (2) «Dói-me muito o peito, mãe!» (3) «Quando tenho alta, senhor doutor?»
. Complementos – constituintes da frase selecionados pelo verbo:
. Complemento direto – grupo nominal (1) ou oração substantiva completiva (2) que pode ser substituído respetivamente pelo pronome pessoal de 3ª pessoa (o/a, os/as) e pelo pronome demonstrativo átono o.
EX: (1) «Dois homens seguravam o porco.» «Dois homens seguravam-no»; (2) «Hão de jurar que não me conhecem.» «Hão de jurá-lo.»
. Complemento indireto – grupo preposicional (geralmente introduzido pela preposição a) que pode ser substituído por um pronome pessoal de 3ª pessoa (lhe/lhes).
EX: «Perguntem aí ao Gouveia.» «Perguntem-lhe aí.»
. Complemento oblíquo – grupo adverbial (1) ou preposicional (2) que, ao contrário do complemento indireto, não pode ser substituído por um pronome pessoal (lhe/lhes).
EX: (1) «Faz bem à alma.» «Faz-lhe à alma.»; (2) «Também me lembro do sopro do maçarico.» «Também me lembro-lhe.»
Exemplos de verbos que pedem complemento oblíquo:
. Complemento agente da passiva – grupo preposicional (geralmente introduzido pela preposição por) que, na frase ativa correspondente, passa a grupo nominal com função de sujeito.
EX: «Uma Câmara não é eleita pelo povo, é nomeada pelo Governo.» «O povo não elege uma Câmara, o Governo nomeia-a.»
. Predicativos:
. Predicativo do sujeito – grupo nominal (1), adjetival (2), adverbial (3) ou proposicional (4) ou oração (5) selecionado por um verbo copulativo (estar, ficar, continuar, parecer, permanecer, revelar-se, ser, tornar-se…) que atribui uma propriedade ou uma localização (espacial ou temporal) ao sujeito.
EX: (1) «A mãe era uma criatura desagradável e azeda.»; (2) «Garcia ficou aturdido.»; (3) «Olhe que isto é preciso é que todos fiquem bem.»; (4) «Caeiro era de estatura média.»; (5) «Pensar é estar doente dos olhos.»
. Predicativo do complemento direto – grupo nominal (1), adjetival (2) ou preposicional (3), selecionado por um verbo transitivo predicativo (achar, chamar, considerar, eleger, julgar, nomear, tratar,…) que atribui uma propriedade ou uma localização (espacial ou temporal) ao complemento direto.
EX: (1) «[…] se o ministro fizer esse ladrão recebedor de comarca.»; (2) «Todos a achavam simpática.»; (3) «Todos o tinham por tolo.»
. Modificador do grupo verbal – grupo preposicional (1), adverbial (2) ou oração subordinada (3) que, ao contrário dos complementos, não sendo selecionados pelo verbo, modificam-no, acrescentando informação suplementar. Caracterizam-se essencialmente pela sua grande mobilidade, podendo ocorrer em várias posições da frase.
EX: (1) «O carrinho partiu, com Lourival, por entre a azinhaga.»; (2) «O conselheiro enrolava vagarosamente o seu lenço de seda da Índia.»; (3) «Não te posso dar minha filha, porque já não tenho filha.»
. Complemento do nome – grupo preposicional [oracional (1) ou não oracional (2)] ou, menos frequentemente, adjetival (3) que integra o grupo nominal, ocorrendo sempre à direita do nome que completa e sendo sempre de preenchimento opcional.
EX: (1) «Tem curiosidade de saber como é esta pobre máquina por dentro […].»; (2) «Ter pena dele seria como ter pena dum plátano […].»; (3) «A procura turística tem aumentado.»
. Modificador do nome – função sintática que integra o grupo nominal, modificando-o através de informações suplementares.
. Restritivo – grupo preposicional (1), grupo adjetival (2) ou oração relativa restritiva (3) que modifica o nome, restringindo a sua referência.
EX: (1) «Fechou a porta da cela atrás de si […].»; (2) «De repente, a rapariga loira viu uma criança sair a correr.»; (3) «Há palavras que fazem bater mais depressa o coração […].»
. Apositivo – grupo nominal (1), adjetival (2) ou preposicional (3) ou oração relativa explicativa (4) que, ao modificarem o nome, não limitam a sua referência. Na escrita, está sempre separado por vírgulas do nome que modifica e ocorre normalmente à direita do mesmo.
EX: (1) «Alguma vez a sua Loló, magra e frenética criatura de olhos verdes, brincara nos jardins dos palacetes […]?»; (2) «Que doença estranha, lenta mas tenaz, matava o Rei?»; (3) «A velha tinha-se dado preparatoriamente um choro, de grande efeito em corações de viajante.»; (4) «O rapaz, que chegou pelo lado de trás, abriu a cancela de madeira.»
. Complemento do adjetivo – grupo preposicional [não oracional (1) ou oracional (2)] que integra o grupo adjetival, ocorrendo sempre à sua direita. Não é de preenchimento obrigatório.
EX: (1) «E será o pai feliz com o meu sacrifício?»; (2) «Sou fácil de definir.»
. Modificador do adjetivo – grupo adverbial que integra o grupo adjetival, correspondendo a um advérbio colocado à esquerda do adjetivo.
EX: «Verão como o elefante se enfrenta com os mais furiosos ventos contrários.»
Testes práticos para identificar os complementos do verbo e o modificador do grupo verbal
. Complemento direto: pode ser substituído pelo pronome pessoal o, a, os, as. Se for uma oração, pode substituir-se pelo pronome demonstrativo isso. Surge na resposta à questão: O sujeito + verbo + o quê? ou + quem?
. Complemento indireto: pode ser substituído pelo pronome pessoal lhe, lhes. Surge na resposta à questão: O sujeito + verbo (+ complemento direto) + a quem?
. Complemento agente da passiva: na frase ativa, desempenharia a função de sujeito.
. Complemento oblíquo: não pode ser substituído pelos pronomes pessoais o e lhe.
Comparativo – compara uma qualidade entre duas entidades, distinguindo-se três modalidades:
. Conjunção/locução conjuncional:
. Coordenativa
. Subordinativa
Processos Morfológicos de Formação Regular de Palavras
Designa o processo que se aplica apenas às palavras variáveis, permitindo especificar as suas propriedades morfossintáticas e morfossemânticas (número, tempo, modo, etc.).
Flexão nominal e adjetival - aplica-se aos nomes e adjetivos, podendo também incidir em determinantes, quantificadores e pronomes.
| Modo | Tempo | Sufixo TM (Tempo e Modo) | Sufixos PN (Pessoa e Número) | ||||||
| Singular | Plural | ||||||||
| 1ª | 2ª | 3ª | 1ª | 2ª | 3ª | ||||
| Indicativo | Presente | Amálgama1 | |||||||
| Pretérito Perfeito | Amálgama1 | ||||||||
| Pretérito Imperfeito | -va -a | -s | -mos | -is | -m | ||||
| Pretérito mais-que-perfeito | -ra | -s | -mos | -is | -m | ||||
| Conjuntivo | Presente | -e (1ª conjugação) -a (2ª e 3ª conj.) | -s | -mos | -is | -m | |||
| Pretérito Imperfeito | -sse | -s | -mos | -is | -m | ||||
| Futuro | -r / -re | -s | -mos | -des | -m | ||||
| Infinitivo Pessoal | -r / -re | -s | -mos | -des | -m | ||||
O presente e o pretérito perfeito do indicativo não possuem sufixos individuais de TM e PN, ocorrendo apenas um que reúne todas as informações, designado amálgama.
É o processo morfológico que permite a formação de novas palavras a partir de uma forma de base, podendo envolver a junção de um afixo.
Permite formar nomes a partir de verbos, mas, ao invés de se juntar um afixo, retira-se um segmento à base. [atacar - ataque; chorar - choro]
É um processo de formação de palavras que não implica qualquer alteração formal, na medida em que apenas se procede à alteração da classe de palavra. [O comer e o coçar vão do começar.]
Designa o processo morfológico de formação de palavras que associa duas ou mais formas de base.
. Composição morfológica
Resulta da associação de dois ou mais radicais, ligados entre si por meio de uma vogal de ligação (i ou o), podendo ocorrer um hífen entre os radicais. À forma composta atribui-se o nome de composto morfológico. [lus(o)-(descendente); fot(o)grafia, queim(ó)dromo]
. Composição morfossintática
Designa o processo de composição que associas duas ou mais palavras. [ator-encenador; governo-sombra; surdo-mudo; guarda-roupa]
O léxico de uma língua pode ser alargado através do recurso a processos irregulares de formação de palavras, permitindo assim a criação de neologismos → novos conceitos ou realidades, podendo ser de natureza formal (amálgama, sigla, acronímia, onomatopeia e truncação) ou semântica (extensão semântica e empréstimo).
Processo que ocorre quando são atribuídos novos sentidos a uma unidade lexical já existente. [Não embarco nessas ideias! → o verbo embarcar começou por significar “entrar numa embarcação”, mas, por extensão semântica, também passou a ter o sentido de “aderir, aceitar”]
Processo que resulta da apropriação de uma unidade lexical de outra língua. [gabardina (do francês); piza (do italiano)]
Processo de criação de palavras que resulta da junção de partes de duas ou mais unidades lexicais. [informática (informação+automática)]
Unidade resultante da junção das iniciais de um grupo de palavras, que são pronunciadas individualmente. [PSP (Polícia de Segurança Pública)]
Unidade lexical resultante da junção das letras ou sílabas iniciais de um conjunto de palavras, sendo pronunciada como uma palavra. [sida, nato, onu]
Unidade lexical resultante da imitação de um som natural. [fru-fru, tique-taque]
Processo de criação lexical que resulta da supressão de uma parte da palavra. [disco (discoteca), Alex (Alexandre)]
O significado de uma unidade é lexical sempre que refere entidades do mundo, podendo ser denotativo ou conotativo.
Parte objetiva do significado lexical, podendo ser analisada fora do discurso, uma vez que é literal e estável.
“A chave da porta desapareceu.” - o sentido denotativo de chave é: instrumento metálico destinado a abrir portas
Parte subjetiva, instável do significado lexical que se atualiza em sentidos secundários ancorados ao sentido denotativo da unidade lexical.
“Precisas de te concentrar para encontrares a chave do teu problema.” - um dos sentidos conotativos de chave é: solução
Caraterística semântica de unidades lexicais que apenas possuem um único significado em todos os contextos. É frequente nos termos de linguagens especializadas [“telefone; estetoscópio”].
Caraterística semântica da maior parte das unidades lexicais que possuem vários significados, relacionados entre si [borracho - pombo novo; bonito; bêbado].
Atendendo ao seu significado, as palavras podem estabelecer entre si diferentes tipos de relações. Estas relações assumem particular relevância na construção da coesão textual, já que representam um contributo indispensável para a unidade semântica do conjunto (enunciado/texto) a que pertencem.
Existe sinonímia quando a substituição de um item lexical por outro não altera o significado do enunciado:
Morrer e falecer não podem ser usados em todos os contextos:
A antonímia é a relação de oposição que se estabelece entre o significado de duas ou mais unidades lexicais. [gordo – magro]
São estabelecidas através de hiperónimos e hipónimos.
[Flor (hiperónimo): cravo, rosa, lírio, jarro, malmequer, etc. (hipónimos)]
São estabelecidas através do recurso a holónimos e merónimos.
[Computador (holónimo): teclado, monitor, rato, etc. (merónimos)]
As relações de hiperonímia – hiponímia distinguem-se das de holonímia – meronímia, na medida em que as primeiras equivalem a uma relação de ser, enquanto as segundas se definem como uma relação de ter.
Calças, saia, camisola, camisa, vestido, etc. → pertencem ao mesmo campo lexical: vestuário.
Campos semânticos de bola e neve: bola de futebol, bola de neve, vela do barco, vela do carro, etc.
O vento vago voltou
À tona de águas paradas
. Anáfora - repetição sucessiva de uma palavra ou expressão no início de frases ou versos.
É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas.
. Anacoluto - interrupção brusca da construção sintática inicial da frase, resultante de uma mudança inesperada do pensamento.
Ó senhor doutor. O senhor vai ver que o Alentejo… Eu tenho aí uma herdade, havemos de lá ir.
. Anástrofe - alteração da ordem direta da frase devido à anteposição de um complemento ou à deslocação de uma palavra.
Às horas em que um frio vento passa.
. Assíndeto - omissão da partícula de ligação entre palavras ou frases, que passam a estar separadas através de vírgulas
E aos meus olhos saqueados é como se a cidade ardesse, uma cidade fantástica, aberta de quarteirões, de praças, de sonhos.
. Epanadiplose - repetição da mesma palavra ou expressão no início e no final de um verso ou de uma frase.
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.
. Epanalepse - repetição da mesma palavra ou expressão em vários momentos de um texto, relativamente próximos.
Amei a mulher, amei a terra, amei o mar.
. Epífora - repetição da mesma palavra ou expressão no final de versos ou de frases sucessivas.
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
. Enumeração - apresentação sucessiva de elementos.
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar e o sol.
. Gradação - sucessão de elementos que se apresentam segundo uma ordem significativa, positiva ou negativa, de modo a destacar uma evolução ascendente ou descendente.
A minha vida é um avental que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
. Hipérbato - separação de palavras que pertencem ao mesmo grupo sintático; transposição da ordem normal das palavras de uma oração
As inquietas ondas apartando. [apartando as ondas inquietas]
. Paralelismo de construção - repetição da estrutura frásica para memorizar ou destacar ideias
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu.
. Polissíndeto - repetição do elemento de ligação entre frases ou palavras
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
. Alegoria - representação física de ideias, realidades abstratas, obtida através de um conjunto de imagens, de comparações, de metáforas, de personificações ou de animismos. Normalmente concretizada através de seres animados.
O polvo, com aquele seu capelo na cabeça, parece um monge; com aqueles seus raios estendidos, parece uma estrela; com aquele não ter osso nem espinha, parece a mesma brandura, a mesma mansidão. [Neste excerto, a figura do polvo é a representação física de ideias como a hipocrisia e a traição.]
. Animismo - atribuição de propriedades anímicas a seres ou realidades inanimados. Não se confunde com a personificação na medida em que as propriedades atribuídas não são humanas.
Um vento selvagem, sem cabresto, cavalgava pelas ruas.
. Antítese - apresentação de dois conceitos opostos para realçar o seu contraste.
Julguei que isto era o fim e afinal é o princípio.
. Antonomásia - substituição de um nome próprio por uma palavra ou expressão que o designem de modo inconfundível.
Cessem do sábio grego e do Troiano.
. Apóstrofe/invocação - interpelação, chamamento de alguém ou de algo personificado
Ó céu! Ó campo! Ó canção!
. Comparação - relação de semelhança entre duas ideias usando uma partícula comparativa ou verbos como «parecer», «assemelhar-se», etc.
O meu olhar é nítido como um girassol.
. Disfemismo - apresentação, de forma violenta, de uma ideia que pode ser expressa de forma suave.
Cheiro que não ofende estes narizes, habituados, que estão ao churrasco do auto-de-fé.
. Eufemismo - expressão, de uma ideia chocante, de uma forma suave.
Quando a fogueira se apagar tens de te ir embora [= morrer].
. Hipálage - transferência de caraterísticas de uma realidade para outra com a qual está relacionada.
Nós fumámos um preguiçoso charuto no jardim.
. Hipérbole - exagero da realidade.
Corre um rio sem fim.
. Ironia - afirmação que pretende sugerir ou insinuar o contrário;
. Metáfora - comparação de dois conceitos sem utilização da partícula comparativa.
Numa onda de alegria.
. Metonímia - utilização de um vocábulo em vez de outro, com o qual tem uma relação de contiguidade.
Estou a estudar Camões.
. Oximoro - expressão que inclui contradição, revelando assim a sua complexidade.
São coisas vestindo nadas.
. Perífrase - utilização de muitas palavras para dizer o que pode ser expresso por poucas.
Pelo neto gentil do velho Atlante [= Mercúrio]
. Personificação - atribuição de caraterísticas humanas a seres inanimados ou a animais. Quando uma nuvem passa a mão por cima da luz.
. Pleonasmo - utilização de duas palavras ou expressões que significam o mesmo, tendo geralmente valor de insistência.
Vi, claramente visto, o lume vivo.
. Sinestesia - expressão simultânea de sensações diferentes.
Brancura quente da calçada.
Noções de Versificação
Verso - Entende-se por verso cada uma das linhas de um poema.
. Ritmo - efeito sonoro produzido intencionalmente pela alternância entre sílabas tónicas (acentuadas) e sílabas átonas (não acentuadas). Ao conjunto das sílabas acentuadas presentes num verso atribui-se a designação de acento rítmico.
. Metro/métrica – medida poética que corresponde ao número de sílabas métricas de um verso. A contagem do número de sílabas métricas:EX: «Mu/dam/-se os/tem/pos/, mu/dam/-se as/von/ta/des.»
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
(última sílaba métrica) (elisão) (elisão)
Classificação dos versos quando à métrica:
Rima
Classificação da rima:
. Em função da correspondência de sons:
Cruel como os Assírios
Lânguido como os Persas,
Entre estrelas e círios
Cristão só nas conversas.
Veio pela encosta um monte
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
. Em função da natureza gramatical das palavras que rimam:
. Em função do esquema rimático (combinações de rima):
E eu na alma – tenho a calma.
Estrofe
Classificação da estrofe em função do número de versos: